Clapton volta ao Brasil pela última vez em três shows neste fim de semana

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Publicado quarta-feira, 10 de outubro de 2001 as 16:03, por: cdb

“Tive todas as mulheres, toquei com os melhores cantores, compositores e músicos. Tive a fama aos meus pés, mas todo dia queria morrer só por causa desta merda”. O guitarrista, cantor e compositor inglês Eric Clapton, 56 anos, conheceu o inferno das drogas nos anos setenta. Foi chamado de Deus por seus fãs londrinos. Apaixonou-se pela mulher de seu amigo George Harrison. Trocou figurinhas com Jimi Hendrix e gravou com os Beatles. Perdeu um filho de quatro anos. Virou até nome de um pequeno planeta.

Sobrevivente de uma geração quase toda aposentada ou morta, Clapton está preparando a sua despedida da estrada. “Esta é definitivamente a última vez. Isto não funciona mais pra mim”, disse à revista Rolling Stone, em maio deste ano, referindo-se à turnê mundial de lançamento de seu mais recente álbum, Reptile.

Confirmada a sua vontade, os brasileiros terão a última chance de ver o célebre guitarrista do Cream em três shows neste mês de outubro. Dia 10, no Estádio Olímpico do Grêmio, em Porto Alegre. Dia 11, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo e, encerrando sua passagem no País, dia 13, na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro. Roberto Frejat, artista contratado da mesma gravadora que Clapton, vai abrir os shows. Afastado provisoriamente do Barão Vermelho, Frejat vai apresentar seu primeiro trabalho solo, “Amor Pra Recomeçar”.

Eric Clapton é uma daquelas pessoas de quem se diz, ao tomarmos conhecimento de sua biografia, “este cara conheceu o céu e o inferno”. Difícil não ligar ao nome as tragédias que marcaram sua vida e inspiraram algumas das canções que o consagraram como deus no cenário do rock mundial.

As “curiosidades” da trajetória pessoal de Clapton se misturam à sua obra, dando um tempero a mais para compor a lenda viva em que se transformou: gênio da guitarra, compositor de sucessos antológicos, cantor de alma negra.

Fruto de uma época por si só “curiosa”, Eric Clapton pode ser considerado um sobrevivente. O inferno ele viveu por ela, por causa dela. Não, não foi uma das muitas mulheres que teve. Essas foram seu céu. A heroína, o álcool, as drogas, essas se tornaram seu martírio. Depois que se livrou delas, virou militante dos Alcoólicos Anônimos e hoje mantém seu próprio centro de recuperação para viciados na ilha de Montserrat.

A músia Cocaina é considerada por Eric um hino anti-drogas, que ele canta nas palestras que faz como voluntário dos AAs. Outras músicas marcam episódios tristes que enfrentou. Tears in heaven foi composta em memória do filho morto acidentalmente aos quatro anos de idade, assim como My father eyes, sobre o pai que jamais conheceu.

Essas músicas vão estar no repertório dos shows no Brasil, que sintetiza um pouco da sua história. Uma trajetória de altos e baixos, quedas e levantes. Sua música sempre trouxe o Deus de volta. Graças a Deus.

Inferno

Depois que se livrou da heroína, Eric virou alcoólatra. Quase morreu de úlcera. Atualmente está sem beber há mais de 10 anos e, recentemente, também deixou de fumar. A morte de Jimi Hendrix, por overdose, o deixou abalado. Os dois mantinham uma profunda amizade. Quinze anos depois, Clapton declaraou: “Quando Jimi morreu, chorei o dia todo porque ele não me levara com ele”. Fez Sunshine of your love, em homenagem a Hendrix.

Céu

Como bom astro do rock, Clapton pode desfrutar de todas as boas coisas a que um autêntica mito tem direito. Colecionar Ferraris, roupas caras, pescar e jogar cricket são alguns dos seus hobbies. Além de dar nome a um planeta, Eric também conquistou seu céu em terra, mas não deixa de contribuir com instituições de caridade, tanto que criou o Eric Clapton Charitable Trust.

Listas

Segundo Clapton, estas são suas canções prediletas:

1) Senza Mama de Ranata Scotto.
2) Au Found Du Temple Saint de Ernest Blanc e Nicolai Godda.
3) Crossroads Blues de Robert Jonhson.
4) Feel Like Going Home de Muddy Waters.
5) I Was Made To Love Her de Stevie Wonder.
6) Hard Times de Ray Charles.
7) I Love