Acusado de tortura em Abu Ghraib dirá em juízo que cumpria ordens

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Publicado quinta-feira, 6 de janeiro de 2005 as 21:28, por: cdb

O soldado americano Charles Graner, que amanhã, sexta-feira, será julgado por um tribunal militar por torturas numa prisão iraquiana, pode alegar em sua defesa que acatava ordens, segundo uma estratégia adiantada por seu advogado.

Graner está sendo acusado de maus-tratos de detidos, descumprimento do dever, abuso dos presos e uso de violência física, penas que podem fazê-lo ser condenado a 24 anos e meio de prisão.

Até o momento, quatro de sete membros da unidade de Graner, encarregada de fazer a custódia dos detentos na prisão de Abu Ghraib, em Bagdá, foram declararam culpados por abusos contra os presos e três deles foram condenados à prisão.

O soldado é um dos mais famosos no escândalo sobre maus-tratos de militares americanos a presos iraquianos, pois aparece em várias das fotos que causaram a polêmica, assim como a soldado Lynndie England, com quem Graner teve um filho.

O advogado de Graner, Guy Womack, argumentou em audiências preliminares que seu cliente obedecia a ordens e fontes judiciais consideram provável que ele prossiga com esta estratégia legal.

Graner, um veterano da guerra do Golfo, de 1991, estava na reserva quando foi chamado para ir ao Iraque.

Já que tinha trabalhado como carcereiro numa penitenciária de segurança máxima da Pensilvânia, foi enviado para Abu Ghraib, onde era responsável pela vigilância dos presos no turno da noite.

Depois do escândalo dos abusos, em abril passado, foram reveladas também denúncias de detentos na prisão da Pensilvânia e pelo menos um homem assegurou que havia sido maltratado por Graner.

A ex-esposa do militar, Staci Morris, que se separou dele em 2000, também o acusou de violência doméstica.

O oficial no comando da 372ª companhia da Polícia Militar – ao qual pertencia Graner -, o capitão Donald Reese, declarou no ano passado aos investigadores militares que “se soubesse que este homem tinha antecedentes, não o teria admitido jamais em minha companhia”.