Zelaya desconfia de diálogo com Micheletti

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Publicado terça-feira, 6 de outubro de 2009 as 11:10, por: cdb

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse na segunda-feira que desconfia do diálogo com o governo de facto para uma saída para a crise, e pediu a abertura da embaixada brasileira, onde ele está refugiado, para receber tanto partidários quanto adversários.

Funcionários do governo provisório afirmaram que na quarta-feira – quando chega ao país uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) – será instalado um diálogo nacional, mas não deram detalhes sobre quem serão os participantes.

– (Em relação ao) diálogo que eles convocaram, não tenho nenhuma confiança nem credibilidade, me parece que é um jogo a mais, ao qual a comunidade internacional não deve se prestar – disse Zelaya na segunda-feira por telefone à Reuters.

– Para que esse diálogo seja efetivo (…) preciso falar com meus opositores para encontrar o caminho da solução – acrescentou.

Zelaya foi expulso de Honduras há cem dias, num golpe militar provocado por suas intenções de alterar a Constituição de modo a poder disputar um novo mandato, o que irritou empresários, políticos e juízes conservadores.

Ele voltou clandestinamente do exílio há duas semanas, e desde então se abrigou na embaixada do Brasil, de onde faz campanha para retornar ao poder. Ele disse que pretende ficar o mínimo possível na embaixada, onde estão também sua esposa e dezenas de seguidores. O prédio está cercado por policiais e militares.

Na segunda-feira, o presidente interino Roberto Micheletti revogou um decreto que restringia as liberdades civis, o que elevou as expectativas de um possível diálogo. Durante sua vigência, o governo fechou dois veículos de comunicação simpáticos ao governo deposto.

– O decreto foi uma armadilha, nada mais, para cancelar os meios de comunicação que são opositores ao regime (…). (Mesmo com a revogação, as autoridades) não vão abrir esses meios de comunicação – acrescentou Zelaya.

Micheletti sugere que uma possível solução para a crise seria a renúncia de ambos à presidência, com a nomeação de um presidente interino. Zelaya rejeitou essa saída.

– Quem decide quem é o presidente de um país é a maioria do povo, o sr. Micheletti com que propriedade fala em nome do povo, quando foi uma cúpula militar que o colocou (no cargo) – afirmou.

Zelaya reiterou seu apoio à proposta do mediador costarriquenho Oscar Arias, que prevê a restituição de Zelaya na presidência e a formação de um governo de unidade nacional.

O presidente deposto disse que uma condição para a aceitação do plano de Arias seria que a assinatura se desse na embaixada brasileira, onde afirmou se sentir a salvo das ameaças de morte que teria recebido.