Vulcão chileno segue estável mas lança toneladas de cinzas no ar

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Publicado domingo, 26 de abril de 2015 as 15:50, por: cdb
As cinzas do vulcão Calbuco chegam aos estratos mais altos da atmosfera
As cinzas do vulcão Calbuco chegam aos estratos mais altos da atmosfera

As cinzas do vulcão Calbuco continuaram chegando ao Brasil, neste domingo, pelo sul do Chile e da Argentina, o que mantém complicado o tráfego aéreo, principalmente na região turística argentina de Bariloche, enquanto em pequenas cidades cobertas de material vulcânico os trabalhos de limpeza prosseguiam, sem que os especialistas descartem uma nova erupção.

O vulcão Calbuco – que entre quarta e quinta-feira surpreendeu com duas violentas erupções, as primeiras em 54 anos – prosseguia neste domingo expulsando uma coluna de cinzas na direção nordeste, embora de menor tamanho que nos dias anteriores, constatou um jornalista da agência francesa de notícias AFP no local.

– Agora só devemos pensar no futuro, esperamos que em dois meses Ensenada volte à normalidade, mas dependerá do fato de o vulcão deixar – disse a jornalistas Pedro González, funcionário de um restaurante que ficou coberto pelas cinzas em Ensenada.

As Forças Armadas protegem a zona afetada, que inclui as cidades de Puerto Montt e Puerto Varas – localizada na região de Los Lagos, 1,3 mil quilômetros ao sul de Santiago – que permanecem em alerta vermelho (máximo) e sob alerta sanitário.

Instabilidade

O Calbuco, que entrou em erupção na quarta-feira, obrigou as autoridades chilenas a elevar o número de pessoas retiradas em mais de 6,5 mil, enquanto várias companhias aéreas internacionais decidiram cancelar preventivamente voos para Santiago, Buenos Aires e Montevidéu.

“A ocorrência de processos vulcânicos considerados perigosos somada à instabilidade atual do sistema, que pode evoluir para etapas de maior intensidade no curto prazo, sugere manter o raio de exclusão”, disse o Escritório Nacional de Emergência em seu último relatório.

O vulcão localiza-se na região turística de Los Lagos, a cerca de 900 km ao sul de Santiago, e sua atividade apresenta-se no momento em que outro vulcão do país, o Villarica, também está em fase de erupção.

A erupção provocou na véspera degelos que geraram a retirada imediata de populações na beira dos rios, enquanto a nuvem de cinzas ampliava-se pelo território argentino, parte do Uruguai e já alcançava o Rio Grande do Sul.

Diante da menor atividade do vulcão, as autoridades chilenas decidiram permitir por algumas horas deste sábado a entrada na zona de exclusão de 20 km de pessoas que tinham sido retiradas para poder revisar suas casas, animais e retirar roupas e medicamentos.