Volta de Delcídio do Amaral deixa senadores em situação complicada

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Publicado segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 as 14:09, por: cdb

Embora o senador negue todas as acusações e ameaças a ele atribuídas, dentro e fora da Casa, o fato é que uma ação para o seu expurgo segue no Conselho de Ética do Senado, após representação feita pela Rede e o PPS

Por Redação – de Brasília

O senador petista Delcídio do Amaral (PT-MS) ficou preso por exatas 86 noites. Ao longo do período em que os carcereiros permitiram ver a luz do sol por apenas uma hora por dia, o político do Mato Grosso do Sul, anteriormente ligado à legenda do PSDB, não conseguia pensar em outra coisa senão na defesa que seus advogados elaboram para a série de crimes dos quais é acusado: obstrução da justiça, desvio de recursos públicos, associação para prática criminosa, entre outros.

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS)
O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) é alvo de um processo de cassação

Nesta terça-feira, Delcídio do Amaral volta ao seu gabinete. Sem tornozeleira, mas monitorado pela Polícia Federal, o senador petista precisará se dirigir aos pares com alguma desculpa por tamanho transtorno na vida parlamentar. Amaral, no entanto, ainda não sabe, com precisão, o que dizer, e pedirá, segundo fontes ouvidas pela reportagem do Correio do Brasil, o prazo de 120 dias para elaborar um discurso com tempo regimental ainda a ser definido pela Mesa Diretora, mas nada além do que uma hora, conforme recomenda a tradição.

Os planos de Delcídio

Delcídio do Amaral tem pleno conhecimento quanto ao peso de cada palavra a ser dita, em Plenário. Juntas, podem garantir a sobrevivência política do senador e uma vida atribulada, mas no conforto de seu mandato, ou a dureza da cama de tijolos que o aguarda, em uma cela de presídio, caso perca o “foro privilegiado” que o cargo lhe possibilita. Nos corredores da Casa circulou, na manhã desta segunda-feira, o boato disseminado por um diário conservador paulistano quanto a atitudes desesperadas do ex-tucano pantaneiro, a de ameaçar colegas e distribuir bravatas.

— Se me cassarem, levo metade do Senado comigo — teria dito a interlocutores, segundo o jornal.

Embora o senador negue todas as acusações e ameaças a ele atribuídas, dentro e fora da Casa, o fato é que uma ação para o seu expurgo segue no Conselho de Ética do Senado, após representação feita pela Rede Sustentabilidade e pelo PPS, sob a acusação de quebra de decoro parlamentar. A defesa de Amaral já impetrou o primeiro recurso e lhe garantiu um tempo extra na possível substituição do relator escolhido, Altaídes Oliveira (PSDB-TO), sob a alegação que o tucano não seria isento no processo.

Ainda que o panorama político no PT seja dos piores, Delcídio tenta passar a mensagem de que é um homem de palavra, ao recusar a deleção premiada que o juiz Sérgio Moro lhe ofereceu. Segundo seus advogados, o réu teria dito que pretende reescrever sua história “sem
revanchismo”.

— Quero virar essa página — disse, segundo a defesa.

A decisão do STF para acatar o pedido de prisão do parlamentar baseou-se em gravação feita por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. No diálogo, gravado, um plano de fuga e uma mesada de R$ 50 mil foram propostos por Delcídio em troca de Cerveró não fazer delação premiada. O ex-diretor, no entanto, acabou assinando acordo de delação e implicou o senador em atos criminosos, contra o Erário.