Vítimas fatais no terremoto em Argel já passam de 2.000

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Publicado domingo, 25 de maio de 2003 as 08:18, por: cdb

O número de mortos no terremoto de quarta-feira na Argélia chegou a 2.047 e o de feridos a 8.626, de acordo com informações oficiais.

Mas autoridades estimam que o número de mortos pode passar de 3 mil.

As operações de resgate continuam, mas as esperanças de que ainda haja sobreviventes são pequenas e as equipes de busca internacionais dizem que só estão encontrando corpos.

No sábado, o presidente Abdelaziz Bouteflika foi recebido com pedras e vaias ao desembarcar na cidade de Bourmedes, a área mais atingida pelo terremoto da última quarta-feira.

Críticas

À medida que diminuem as chances das equipes de resgate encontrarem sobreviventes, cresce a revolta dos argelinos com o que vêem como uma resposta lenta e desorganizada do governo ao desastre.

A população se queixa, por exemplo, do fato de não haver abrigo temporário para as pessoas que perderam suas casas e que agora são obrigadas a dormir nas ruas.

Críticos dizem que o governo também fracassou em pôr em prática normas de construção que tornariam os edifícios mais resistentes a tremores e em exigir o seu cumprimento.

Especialistas em resgate de outros países enviados para o país reclamam da dificuldade para se comunicar com as autoridades locais e para chegar às áreas destruídas.

– Faltam intérpretes, falta transporte. Eles (as autoridades argelinas) dizem uma coisa e quando você chega lá, a situação é outra – afirmou um funcionário à BBC.

– É difícil porque a janela de oportunidade para achar as pessoas vivas está se fechando muito rápido – acrescentou.

Atraso

Os esforços de ajuda também estão sendo prejudicados pela condição das estradas – muitas destruídas ou bloqueadas por destroços.

Além disso, engarrafamentos enormes causam atrasos nas operações, já que parentes ansiosos tentam dirigir às áreas atingidas.

Para os mais de 7 mil feridos, faltam remédios e lugares nos hospitais.

Depois de anos de conflitos entre militantes islâmicos e forças de segurança, as autoridades estão relutantes em enviar equipes de resgate a algumas áreas que não seriam consideradas seguras.

Mesmo os engenheiros argelinos que comandam os consertos nas estradas são escoltados por homens armados.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho – seu equivalente em países islâmicos – está coordenando a ajuda à Argélia.

A agência já pediu US$ 1,5 milhão para providenciar assistência, inclusive remédios, alimentos e cobertores.

O epicentro do tremor, que atingiu 6,7 graus na escala Richter (aberta, cujo máximo já registrado foi 9,5), foi registrado em um local próximo à cidade de Thenia, que fica cerca de 60 quilômetros a leste da capital.