Visita da ONU não impede Irã de ampliar pesquisas nucleares

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Publicado quinta-feira, 13 de abril de 2006 as 12:30, por: cdb

O Irã vai ignorar, definitivamente, os novos apelos da comunidade internacional para que interrompa seu programa de enriquecimento de urânio, disse seu presidente, gerando incertezas sobre a visita desta quinta-feira, ao país, do chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Mohamed ElBaradei, dirigente da AIEA, afirmou que tentará convencer as autoridades iranianas a suspender as atividades atômicas consideradas delicadas.

O apelo foi feito menos de 48 horas depois de o Irã ter sido condenado por vários países quando disse que pretende dar início ao enriquecimento de urânio em escala industrial.

– Nossa resposta aos que estão zangados com o fato de o Irã dominar o ciclo nuclear completo resume-se a uma frase: ‘Fiquem furiosos e morram em virtude dessa fúria’. Não vamos realizar negociações com ninguém a respeito do direito da nação iraniana (de enriquecer urânio) e ninguém tem o direito de recuar, mesmo que um milímetro – disse o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, na quarta-feira, em comentários divulgados pela agência iraniana de notícias Irna.

A triunfante declaração dele nesta terça-feira, de que o Irã tinha enriquecido urânio até um nível suficiente para usá-lo como combustível em usinas de força e de que pretendia produzir o material agora em larga escala, foi recebida com críticas por potências mundiais, entre as quais a Rússia e a China. O governo chinês prometeu enviar um representante da área de controle de armas, o ministro-assistente das Relações Exteriores Cui Tiankai, para o Irã e para a Rússia a partir da sexta-feira para tentar acabar com o impasse.

– Esperamos que as partes envolvidas consigam dar provas de moderação e que não tomem medidas capazes de agravar a situação – disse um porta-voz da chancelaria chinesa.

Os EUA afirmaram que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que pode impor sanções, precisa adotar “medidas enérgicas”. O governo norte-americano e a liderança de outros países ocidentais acusam o Irã de usar seu programa civil de energia nuclear como um disfarce para tentar desenvolver armas. O Irã nega essas acusações. Embora o discurso norte-americano seja no sentido de se buscar uma solução diplomática para a disputa, não está descartada a opção militar.

Ministro francês das Relações Exteriores, Philippe Douste-Blazy, rechaçou as conversas sobre eventuais ações militares, classificando-as como algo “totalmente fora da pauta.”

O Conselho de Segurança mandou o Irã suspender todas as atividades nucleares consideradas delicadas e pediu que a AIEA entregue, no final de abril, um relatório sobre a postura adotada pelo país. A exigência levou ElBaradei a viajar até o território iraniano.

– Vou discutir a necessidade de o Irã entrar na linha, segundo pede a comunidade internacional, a necessidade de o Irã adotar medidas capazes de alimentar a confiança nele, entre as quais a suspensão do enriquecimento de urânio até o esclarecimento de outras questões – afirmou o chefe da AIEA.

Apelo internacional

ElBaradei ao desembarcar em Teerã, na manhã de quinta-feira, pouco depois dos comentários feitos por Ahmadinejad, disse que gostaria de ver “o Irã atendendo ao pedido da comunidade internacional”.

Mas diplomatas da AIEA mostraram-se cautelosos a respeito da possibilidade de que surja qualquer acordo durante a visita.

– Trata-se de um excesso de otimismo achar que o Irã suspenderá todo o processo nuclear neste momento. Claramente, eles realizaram um avanço significativo nos níveis de pesquisa e desenvolvimento e desejam apresentar isso como algo irrevogável, tentando assim aumentar seu poder de barganha com o Ocidente – afirmou um diplomata alocado na agência, cuja sede fica em Viena.

Três potências européias — a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha,  negociavam com o Irã a respeito da suspensão das atividades nucleares. Essas nego