Vírus é usado para criar marca-passo natural

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Publicado terça-feira, 18 de dezembro de 2012 as 13:16, por: cdb
marca-passos
Técnica em desenvolvimento poderia um dia substituir marca-passos artificiais, diz estudo

Cientistas do instituto estadunidense Cedars-Sinai conseguiram, através de um vírus modificado, reprogramar células cardíacas para controlar e organizar os batimentos do coração e funcionar como um marca-passo natural. Porcos-da-índia foram usados como cobaia para o experimento inovador, que a diferença dos anteriores, utilizou apenas um gene para modificar geneticamente as células cardíacas dos animais: o Tbx18.

O trabalho, publicado na revista Nature Biotechnology, pode funcionar como uma alternativa futura aos atuais marca-passos eletrônicos.

A equipe responsável disse ter esperanças de que a técnica também funcione em corações humanos porque o Tbx18 é um gene humano.

Solução Alternativa

Em seu funcionamento normal, o coração humano é composto por bilhões de células.

No entanto, os pesquisadores explicam que menos de dez mil delas têm a propriedade de controlar os batimentos cardíacos, e fazem isso por meio de sinais elétricos emitidos em intervalos regulares.

Com o envelhecimento, ou em consequência de doenças, o ritmo e a frequência desses sinais são alterados, levando o coração a bater muito rápido, ou muito devagar, e em alguns casos, o coração pode deixar de bater completamente.

Atualmente, a solução para o problema é implantar no organismo do paciente um marca-passo artificial. O aparelho, movido por uma pequena bateria, produz pequenas descargas elétricas ritmadas que impulsionam os batimentos.

Mas a equipe americana optou por um caminho diferente.

Os especialistas decidiram gerar, no coração das cobaias, novas células com o poder de controlar seus próprios batimentos cardíacos.

Para tanto, o grupo injetou o gene Tbx18 em um vírus modificado geneticamente. O vírus foi então usado para “infectar” as células do músculo cardíaco de sete porcos-da-índia.

O gene Tbx18 foi escolhido por estar associado à formação, no embrião, das células que regulam os batimentos do coração.

Quando as células foram infectadas, tornaram-se menores, mais finas e menos espessas, à medida que adquiriam as “características singulares das células marca-passo”, indica o estudo.

Cinco entre os sete porcos-da-índia que receberam as injeções do gene Tbx18 em seu coração passaram a apresentar batimentos cardíacos originados a partir dos seus novos marca-passos.

Esperanças

Um dos pesquisadores, Hee Cheol Cho, disse ter esperanças de que a técnica funcione em humanos, já que o Tbx18 é um gene humano. Mas ressaltou que terão de ser feitos muitos outros testes em animais antes de que o método possa ser testado em humanos.

As vantagens de se usar um marca-passo biológico, segundo o especialista, seriam muitas. “Dispositivos elétricos são limitados à vida finita de suas baterias, necessitando de trocas de bateria”, explicou.

– Complicações como desalojamento, quebras e nós nos fios não são incomuns e podem ser catastróficas. A incidência de dispositivos com infecções bacterianas continua aumentando e, em pacientes pediátricos, o dispositivo não cresce com os pacientes – disse Hee.

– Todos esses problemas podem ser resolvidos por um marca-passo biológico.

Repercussão

Comentando o estudo americano, o médico Jeremy Pearson, da Fundação do Coração Britânica, disse: “A capacidade de transformar-se, desta forma, células comuns do coração em células especializadas marca-passo é muito nova e cientificamente fascinante”.

– Ela cria a tentadora possibilidade de usar-se terapias celulares para restabelecer o ritmo normal do coração em pessoas que, de outra forma, precisariam de marca-passos eletrônicos.

– No entanto, muito mais pesquisas precisam ser feitas agora para entendermos se esses resultados podem ajudar pessoas com doenças cardíacas no futuro.