Violenta explosão devasta clube de elite em Bogotá

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 8 de fevereiro de 2003 as 15:09, por: cdb

Uma violenta explosão devastou o mais seleto clube da capital colombiana, na sexta-feira à noite, matando pelo menos 20 pessoas, ferindo mais de 100 e provocando cenas de pânico em meio a um mar de escombros que se espalhou pela rua, ao longo de mais de um quarteirão.

As autoridades policiais e da Prefeitura local disseram que aparentemente a explosão foi provocada por um carro-bomba deixado no terceiro pavimento do estacionamento do prédio, de 10 andares, onde estão alguns dos melhores restaurantes da cidade, um hotel, vários centros de conferência, além do Clube El Nogal, freqüentado pela elite colombiana.

Quando ocorreu a explosão, o prédio estava lotado, como costuma ocorrer nas sextas-feiras à noite.

Nenhum dos grupos armados em luta na Colômbia assumiu a responsabilidade pelo atentado, um dos mais violentos de que se tem notícia em um centro urbano do país.

A violência na Colômbia, promovida por grupos de guerrilha e para-militares em luta contra as forças governamentais já provocou a morte de milhares de pessoas, porém em sua maioria nas zonas rurais.

A explosão destruiu a fachada do prédio, no elegante região de Andean, onde ficam várias embaixadas, inclusive a do Estados Unidos, que é próxima do clube.

Além dos destroços, era possível ver poças e trilhas de sangue das vítimas da explosão.

“Temo que mais de 20 pessoas tenham morrido”, disse o prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, acrescentando que os autores do atentado teriam usado mais de 200 quilos de explosivos.

O prefeito descartou a possibilidade de que a explosão ter sido provocada por vazamento de gás, como se chegou a pensar de início.

Dezenas de feridos, com suas roupas elegantes cobertas de poeira e manchas de sangue estavam sendo socorridos no local pelas ambulâncias.

As chamadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc, que se estima tem um contingente de 17.000 rebeldes, já promoveu ataques a centros urbanos desde que o presidente Alvaro Ruibe assumiu em agosto com a firme determinação de combater os grupos armados no país.

O último ataque ocorreu em 16 de janeiro, quando rebeldes das Farc mataram cinco pessoas em um estacionamento perto de uma representação do Ministério Público na cidade de Medellin. O grupo é o principal suspeito do atentado.

Em dezembro, rebeldes das Farc também deixaram uma maleta com uma bomba em restaurante no trigésimo andar de um edifício no centro de Bogotá, em restaurante que parlamentares costumam freqüentar, ferindo 30 pessoas.

Cenas de caos
A explosão ocorreu em torno das 20:10, hora local, estremecendo o prédio. Os destroços cobriram a rua e o abalo destruiu vidraças em uma área de mais de um quarteirão. A Polícia ordenou a evacuação dos prédios vizinhos e isolou a área.

“Estava em um bar no quinto andar quando ocorreu o violento estrondo e a fumaça tomou conta do local”, disse o estudante Esteban Jaramillo à Reuters. “Tive sorte porque deu para eu pular de uma janela para o teto de uma casa vizinha”.

No final da noite, as equipes de resgate, que trabalharam com máscaras de oxigênio, disseram acreditar que haviam retirado todos os sobreviventes.

Antes disso, testemunhas viram pessoas gritando das janelas do quinto andar e do sétimo, enquanto as chamas no terceiro andar do estacionamento iluminavam a noite e lançavam fumaça para o céu. Todos os carros estacionados na área foram destruídos pelas chamas.

As equipes de resgate precisaram conter alguns sobreviventes que queriam voltar ao local em busca de amigos ou parentes, alguns dos quais usaram celulares para pedir socorro.

Um homem, com seu terno desfigurado gritava para os bombeiros que a filha ainda estava no prédio e precisou ser contido vigorosamente pelos bombeiros.

O ministro da Justiça Fernando Londono era presiente do clube antes de ter passado a integrar o gabinete de Uribe.