Violência e racismo atingem brasileiros na Euro 2016

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Publicado sexta-feira, 17 de junho de 2016 as 13:13, por: cdb

Desde o início do torneio, há sete dias, 323 hooligans de várias nacionalidades foram detidos e 196 foram presos com razão de distúrbios violentos

Por Redação, com Sputnik Brasil – de Paris:

Dois jornalistas brasileiros da agência Bandeirantes, Fernando Oliveira e Sónia Blota, foram atacados por torcedores da seleção da Alemanha durante a Eurocopa, informou o jornal Estadão.

O incidente aconteceu no Centro de Paris na véspera do jogo da primeira fase da Eurocopa entre a Alemanha e a Polônia em frente da estação de trens Gare du Nord. Desta estação partem os trens que levam até ao Stade de France e, por isso, tinha grande movimento de torcedores alemães e poloneses. A equipe tinha a intenção de conversar com torcedores dos dois países e perguntar sobre as expectativas do jogo, mas foi abordada por um grupo de torcedores alemães.

O incidente aconteceu no Centro de Paris na véspera do jogo da primeira fase da Eurocopa
O incidente aconteceu no Centro de Paris na véspera do jogo da primeira fase da Eurocopa

– Um cara acompanhado de um grupo de cerca de 50 torcedores veio e gritou: ‘Get out, niggers’ (caiam fora, negros!) – contou o cinegrafista, que é negro.

O torcedor tinha um bastão, com o qual empurrou Fernando Oliveira, antes de chutar a repórter Sónia. “Pedi para que não batessem nela e, quando nós estávamos saindo, ouvi de novo: ‘Get out, niggers ‘ e levei um tapa na cara”, disse Oliveira.

– A dor não é física, é moral e psicológica. Parece que o resto da vida vamos ter de nos desculpar por sermos negros e minoria – acrescentou ele.

Os jornalistas conseguiram tirar uma foto dos atacantes. Os brasileiros já entraram em contato com à polícia.

O jogo entre a Alemanha e a Polónia terminou no Stade de France em um empate 0 a 0.

Desde o início do torneio, há sete dias, 323 hooligans de várias nacionalidades foram detidos e 196 foram presos com razão de distúrbios violentos.

Na quinta-feira o Tribunal de Marselha condenou três torcedores russos a penas entre oito meses e dois anos de prisão por comportamento violento no sábado passado. De acordo com o procurador de Marselha, Brice Robin, as autoridades da França quiseram desta forma enviar um recado aos outros hooligans.

Grupo de torcedores russos

O governo francês decidiu deportar um grupo de adeptos russos. O ônibus dos torcedores foi detido para registro em Mandelieu-la-Napoule, no sul da França, informou AFP.

A operação ainda não está finalizada, segundo representantes das autoridades francesas, citados pela agência. As autoridades optaram por alojar os fãs num centro de acolhida temporário, para depois expulsá-los do país. A razão desta “medida de segurança” foi que eles “representam uma ameaça para a ordem pública” depois dos incidentes em Marselha.

Aleksandr Shprygin, presidente da União Russa de Torcedores, informou que as 50 pessoas que seguiam a bordo do ônibus foram detidas para ser deportadas.

– Não nos dão água, nos deixaram presos no ônibus. Uma pessoa está passando mal. Chamaram a ambulância. Não nos deixam ir no banheiro…Faz 30 graus. Estão nos ameaçando com deportação, sendo que entre as pessoas ameaçadas têm algumas que não estavam no porto de Marselha no momento dos acontecimentos. Entre eles há mulheres… – informou Aleksandr Shprygin.

Esta quarta-feira, 5 mil torcedores deverão chegar ao estádio de Lille para assistir ao jogo da Eurocopa 2016 entre as seleções da Rússia e Eslováquia.

Depois do primeiro jogo entre a Rússia e a Inglaterra no sábado passado em Marselha, que terminou em empate de 1 a 1, uns 30 torcedores invadiram a zona dos fãs ingleses, arrancaram bandeiras e jogaram material pirotécnico. Além desse, ocorreram outros enfrentamentos entre ingleses, russos e a polícia local, resultando em 31 pessoas feridas.