Violência de nova versão de ‘Alice’ causa polêmica

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Publicado sábado, 18 de setembro de 2004 as 11:53, por: cdb

Mal foi publicada, e a nova versão do clássico Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, escrita pelo iniciante Frank Beddor, já foi alvo de duras críticas.

Beddor, que produziu o lamentável Quem vai ficar com Mary?, é um ex-campeão mundial de ski. No livro, ele transplantou Alice para um mundo moderno e violento de fantasia que poderia ter saído diretamente de um jogo de computador.

The Looking Glass War (A Guerra do Espelho, em tradução livre), o primeiro de uma triologia, conta a história da jovem princesa Alyss Heart, a exilada futura rainha do País das Maravilhas, que embarca em sua última expedição para reclamar seu status real.

As novas aventuras de Alyss a levam a vários territórios perigosos antes de ela embarcar em sua última missão no labirinto do espelho.

Diferença

É uma história completamente diferente da original, e Beddor destoa da sabedoria encontrada no livro mais famoso de Lewis Carroll.

A maioria dos acadêmicos aceitam que o enredo original foi escrito para entreter uma pequena garota chamada Alice Liddell, de quem Carroll ficou amigo.

Mas Beddor afirma que foi Alice Liddell quem contou a história e que o autor a traiu ao mudar tudo e escrever a versão que se tornou famosa.

Frank Beddor começou a desenvolver essa idéia depois de ter visitado um negociador de antiquário em Londres que se especializou em cartões. O negociador acreditava que o País das Maravilhas era um lugar real.

“Ele tinha uma certidão de nascimento para provar que Alice era adotada e uma carta do editor dela dizendo que a história original foi inventada por ela e que Carroll a havia traído”, diz o escritor.

Parece haver uma área obscura entre fantasia e realidade nessa interessante premissa.

Sobre o negociador, Beddor diz: “Nós todos temos nossa própria realidade”.

The Looking Glass War traz vários personagens da história original, incluindo o Gato Risonho e a Rainha Louca, e os transforma em heróis ou vilões empunhando armas.

Beddor não se desculpa por ter usado muitas influências modernas em seu livro, incluindo os filmes Guerra nas Estrelas e Matrix.

“Eu pensei na história primeiro como um filme e depois como um possível livro. Escrevi em segredo, estava muito nervoso. Demorei muito tempo para organizar tudo.”

Ele não gostou de Alice no País das Maravilhas em sua infância e achava que se tratava de um “terrível livro para meninas”, apesar de agora achar a obra “brilhante”.

“Falta um bom ápice, não é um livro para ser devorado. Mas eu amei o forte personagem feminino, então o mantive na história da expedição. E ela é circundada por criaturas que podem atrair os meninos também.”

O livro é violento em algumas partes, e Beddor diz que teve de cortar alguns trechos.

“Mas as crianças estão acostumadas a um mundo mais real e violento agora – vídeo games e filmes estão dominando – e tenho esperança que elas gostem do livro.”

Nem todo mundo gosta dele, entretanto.

‘Desastroso’

Will Brooker, professor associado de Comunicação da Universidade de Richmond, ficou impressionado.

“É um dos piores livros que eu já li, apesar de que o conceito básico fosse promissor”, diz ele.

“Não sou um purista. Alice sobreviveu a muitas adaptações e mudanças no passado. Mas o estilo narrativo é desastroso, como os desenhos animados de sábado de manhã, e os diálogos são mornos.”

Alan White, secretário da Sociedad