Vinte pessoas são presas em tentativa de golpe na Costa do Marfim

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Publicado quinta-feira, 28 de agosto de 2003 as 13:04, por: cdb

Pelo menos 20 pessoas foram detidas em Abidjan, capital financeira da Costa do Marfim e atual sede do governo, por envolvimento em uma tentativa golpista realizada no fim de semana passado na França, com o objetivo de derrubar o governo do presidente marfinense Laurent Gbagbo.

De acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira por emissoras internacionais captadas em Dacar, os detidos estão “direta ou indiretamente” ligados com o sargento Ibrahim Coulibaly, também conhecido como “IB”, detido pelos serviços de segurança franceses sob a acusação de organizar de Paris um complô para assassinar Gbagbo.

Em uma mensagem dirigida à nação na terça-feira, o presidente da Costa do Marfim ressaltou a importância de o caso ser investigado “com diligência, rigor e toda seriedade”, a fim de que sejam desmascarados os culpados e seus colaboradores, independentemente “de quem forem e de onde estiverem”.

A tentativa golpista gerou grande polêmica na Costa do Marfim. Enquanto os seguidores de Gbagbo suspeitam do envolvimento de membros de Forças Novas (FN), partido político que acolhe ex-grupos rebeldes, estes e boa parte da imprensa põem em dúvida as ações das autoridades francesas.

Os partidários de “IB” ressaltam que o processo judicial iniciado contra Coulibaly “não é mais do que um desejo do governo francês de pôr fim às desavenças surgidas há um ano com sua ex-colônia, provocadas pela crise desatada na Costa do Marfim”.

As FN, por sua vez, pediram às autoridades francesas a libertação imediata de Coulibaly e anunciaram o envio de uma delegação a Paris para que “pressionem” as autoridades e revertam as acusações apresentadas contra o militar detido.

Centenas de pessoas se manifestaram em Korrhogo e Bouake, região central do país, para exigir a libertação de “IB”, que desfruta de grande popularidade, apesar de estar há mais de dois fora do país. Coulibaly foi um dos principais protagonistas do golpe de Estado militar de dezembro de 1999 perpetrado pelo hoje falecido general Robert Guei, que derrubou o presidente Henri Konan.

Refugiado em Burkina Fasso, o sargento “IB” chegou há pouco tempo à França, de onde há pouco anunciou seu regresso à Costa do Marfim, com a recente aprovação da lei de anistia pela Assembléia Nacional.

As suspeitas ligadas à tentativa de golpe também envolvem o primeiro-ministro do novo governo de transição marfinense, Seydou Diarra, acusado pela governista Frente Patriótica Marfinense (FPI) de ser “conhecedor e cúmplice” de “IB”.

Em uma entrevista coletiva ontem em Abidjan, o secretário-geral da FPI, Pascal Affi Nguessan, disse que Diarra deveria ir a tribunal, já que “sabe muito do que está acontecendo”.

Os últimos eventos, segundo os analistas, põem em grande perigo o período de transição da Costa do Marfim. Depois de alcançado o acordo paz, através de difíceis e longas negociações em janeiro passado, seu andamento é ameaçado por acusações mútuas e ações de desestabilização por parte do governo e da ex-rebelião.