Vilma depõe e diz que Roberta Jamilly foi trocada no hospital

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Publicado quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003 as 18:03, por: cdb

Depois de adiar seu depoimento por três vezes e ficar quatro dias internada em um hospital, a empresária Vilma Martins Costa, de 52 anos, finalmente compareceu nesta quarta-feira à Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Goiás. Ela doou sangue para um teste de DNA e contou uma história complexa para explicar o fato de sua filha Roberta Jamilly ser a menina Aparecida Fernanda Ribeiro Silva, seqüestrada de uma maternidade de Goiânia. A jovem de 23 anos também prestou depoimento.

Vilma contou ao delegado Antonio Gonçalves que deu à luz uma criança em março de 1979, no Hospital de Itaguari, a 90 km de Goiânia, dois dias depois do seqüestro de Aparecida. Segundo Vilma, seu bebê foi trocado por Roberta Jamilly.

“A troca teria ocorrido enquanto ela ainda estava anestesiada”, disse o delegado Gonçalves.

Ele contou também que Vilma rebateu as acusações de uma enfermeira do Hospital de Itaguari, que afirma que a empresária forjou o parto da garota seqüestrada. “Acho estranho essa mulher ter guardado por tanto tempo um fato tão grave”, argumentou Vilma.

O delegado descartou um eventual pedido de prisão contra a empresária. Ele disse que pretende concluir o inquérito em breve e remetê-lo ao Judiciário, que decidirá sobre a prisão ou não da acusada.

Vilma chegou à delegacia no fim da manhã, acompanhada de Roberta Jamilly e de sua advogada. Ao descer do carro, disse estar passando mal e entrou na delegacia amparada pela filha. Vilma é hipertensa e tem um aneurisma no cérebro.

O sangue coletado da empresária será comparado com o de suas outras três filhas: Carla Beatriz Martins da Silva, de 32 anos, Patrícia Helaine, de 30, e Christianne, de 28.

O depoimento de Roberta Jamilly foi menos tumultuado. O delegado queria saber se ela tinha ciência de que sua certidão de nascimento havia sido falsificada.

Roberta Jamilly disse que não sabia da fraude no documento.

Hoje, às 15h, o delegado aguarda o depoimento de Osvaldo Júnior, o Pedrinho, de 17 anos, seqüestrado de uma maternidade de Brasília. Ele também vai falar sobre a falsificação de seus documentos.

Registrado como filho de Vilma Martins e Osvaldo Borges, ele é, na verdade, filho do casal Jayro e Maria Auxiliadora Tapajós.