Vice-presidente do Iraque critica a ONU em público

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Publicado domingo, 23 de março de 2003 as 09:29, por: cdb

O vice-presidente do Iraque, Taha Yassin Ramadan, apareceu neste domingo, em público em Bagdá, e acusou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, de cumplicidade com os Estados Unidos em seu ataque ao país árabe.

Yassin Ramadan, considerado membro da “ala dura” do Governo iraquiano, fora dado como morto pela CIA (agência de inteligência americana), mas neste domingo apareceu em Bagdá para fazer declarações à imprensa.

Ramadan anunciou que o regime iraquiano mostrará em breve, na televisão oficial, vários soldados americanos feitos prisioneiros, sem dar mais detalhes sobre o assunto.

O vice-presidente, terceiro na hierarquia iraquiana, acusou Kofi Annan de se comportar como se os americanos já tivessem o controle do país e o tivessem nomeado “Alto Comissário para o Iraque”.

“Não esperávamos esse comportamento por parte dele”, afirmou Ramadan, que dedicou a maior parte de suas declarações a criticar o secretário-geral da ONU.

Ramadan afirmou que Annan “não fez nada para evitar a agressão ao Iraque”, e criticou sua decisão de ordenar a retirada dos observadores militares da ONU da fronteira entre o país e o Kuwait, os inspetores de armas e os trabalhadores das agências das Nações Unidas.

“Por que ele ordenou a retirada dos inspetores? Por acaso o informaram que não estávamos cooperando com eles? Disseram a ele que o Iraque não garantia sua segurança?”, questionou.

“O senhor foi muito longe em seus atropelos ao Iraque e à sua soberania”, disse Ramadan.

O vice-presidente do Iraque também criticou duramente os regimes árabes, enquadrando-os em três categorias: governantes conspiradores envolvidos na agressão (contra o Iraque), conspiradores em segredo e governantes que impedem que seus cidadãos expressem seus sentimentos contra a guerra, e que na verdade apóiam a agressão.

Por outra parte, Ramadan afirmou que os bombardeios na noite do último sábado (22) contra Tikrit, cidade natal de Saddam Hussein, destruíram um museu que tinha importantes tesouros arqueológicos.

O ministro da Informação, Mohamed Said Al Sahaf, disse pouco antes que quatro pessoas morreram no bombardeio de Tikrit e outros 77 civis perderam a vida nos ataques aéreos de ontem contra Basra.