Veríssimo assiste em Portugal à “Comédias da Vida Privada

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Publicado sexta-feira, 5 de outubro de 2001 as 18:53, por: cdb

Luís Fernando Veríssimo está em Portugal para assistir à versão para o palco de uma das suas obras mais populares, “Comédias da Vida Privada”.

Veríssimo confessou seu quase total desconhecimento em relação ao teatro português. Mas ressalvou que não é um espectador de teatro muito assíduo. Pelo menos no Brasil. “Viajo muito e as minhas rotas teatrais prediletas continuam a ser Londres e Nova York. Isto porque gosto dos clássicos, das dramaturgias mais consistentes, e embora no Brasil se escreva muito para o palco – e haja alguns autores interessantes – quase tudo o que se vê em cena é puro ‘besteirol’, ou seja, peças leves e humorísticas, peças divertidas mas sem pretensões intelectuais”.

O que, segundo ele, explica-se facilmente. Como o teatro no Brasil não usufrui de qualquer apoio estatal, todo o esforço de produção se concentra na necessidade de despertar o interesse do público e de cativar os potenciais mecenas. Daí que se recorra, cada vez mais, às estrelas de televisão – as mais sólidas garantias de alcançar o sucesso de bilheteira. “No Brasil, a cultura é um negócio como outro qualquer. Não se montam os clássicos porque é muito caro, opta-se pelos textos ligeiros porque têm aceitação popular, de preferência com vedetes da TV como protagonistas, porque o público vai mais facilmente ao teatro para ver os atores da telenovela do que para que lhe contem uma história”, afirma.

Luís Fernando Veríssimo diz que não é de estranhar que atores jovens queiram sair do Brasil para tentar a sua sorte na Europa – especificamente em Portugal. “Acho que aqui, apesar de tudo, há a tradição de ir ao teatro. Há público interessado naquilo que se faz nos palcos. No fundo, é tudo uma questão de mercado: os artistas vão para onde acham que podem sobreviver da sua arte”.