VENTOS DA “REVOLUÇÃO ÁRABE” SOPRAM PELA DIREITA NA ESPANHA

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Publicado domingo, 29 de maio de 2011 as 12:10, por: cdb

Por Liga Bolchevique Internacionalista 29/05/2011 às 14:52

A tarefa que se coloca para a juventude e as massas trabalhadoras na Espanha e outros países da Europa é transformar sua indignação em ação consciente, construindo o instrumento capaz de levantar esse programa revolucionário, o partido da revolução proletária mundial

VENTOS DA “REVOLUÇÃO ÁRABE” SOPRAM PELA DIREITA NA ESPANHA

“INDIGNADOS” NAS PRAÇAS… REACIONÁRIOS NAS URNAS

O governo socialdemocrata de José Luis Rodríguez Zapatero, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) saiu derrotado das eleições locais realizadas domingo (22/05), na Espanha, quando cerca de 34 milhões pessoas foram às urnas para eleger vereadores e prefeitos em 8.116 municípios, além dos governos de 13 das 17 comunidades autônomas espanholas. O Partido Popular (PP) de Mariano Rajoy, obteve 37,58% dos votos contra 27,81% dos votos obtidos pelo PSOE. A vitória do PP, que coloca a extrema direita a frente da maioria das prefeituras e regiões do país, revela uma forte tendência de fascistização do regime diante do agravamento da crise econômica e social. Empolgado com o sucesso eleitoral, Rajoy já reivindica que o governo de Zapatero antecipe a convocação das eleições gerais, previstas para março de 2012.

O PSOE, que nas eleições de 2007 tinha obtido uma maioria de 34,92% dos votos, agora perdeu a eleição em todas as 13 regiões em disputa, além de cidades importantes que historicamente eram controladas pelos “socialistas”, como Sevilha e Barcelona. Essa humilhante derrota foi, por um lado, produto da insatisfação dos trabalhadores com a política do governo de arrocho salarial, cortes nos gastos sociais e elevação de juros para satisfazer os interesses da oligarquia financeira, o que só contribui para o agravamento da crise econômica e o aumento do desemprego que atinge 21% da população, chegando a 44% entre a população jovem até 25 anos.

Mas, por outro lado, a derrota do PSOE é também uma clara demonstração de que a burguesia já concluiu que é chegada a hora de alterar seus gestores a frente do Estado burguês, substituindo os desgastados “socialistas” do PSOE pelos direitistas do PP, que terão como principal tarefa no próximo período intensificar a repressão contra os trabalhadores que reagirão cada vez mais diante do agravamento da crise social. Noutras palavras, mais uma vez diante da completa ausência de uma alternativa revolucionária do proletariado que aponte o caminho do socialismo como única saída dos trabalhadores frente à crise terminal do capitalismo, a socialdemocracia cumpre o seu papel histórico de pavimentar o caminho para a ascensão do fascismo.

A FANTASIOSA “REVOLUÇÃO DOS INDIGNADOS”

As eleições de 22 de maio ocorreram em meio a uma onda de manifestações de jovens e desempregados que desde o dia 15 de maio ocuparam praças públicas em Madri e nas principais cidades do país em protesto contra os efeitos da crise e reivindicando reformas no regime político. Tento como principal lema “Democracia Real Já”, os autoproclamados “indignados”, chamaram o boicote às eleições por consideram corretamente que os dois principais partidos do regime PP e PSOE não representam os interesses do povo. Mas em vez de defenderem a construção de organismos de poder do proletariado e a destruição do |Estado burguês, os “indignados” propõem medidas ilusórias para regenerar as corrompidas instituições do regime, reivindicando a realização de “referendos obrigatórios”, “modificação na Lei Eleitoral”, “independência do poder judiciário” e mecanismos que garantam a “democracia interna nos partidos políticos”. Tais reivindicações revelam o caráter pequeno-burguês desse movimento e a recusa em admitir o princípio científico marxista de que o Estado burguês é essencialmente uma máquina a serviço dos interesses dos capitalistas, um balcão de negócios comuns da burguesia, e como tal não deve ser regenerado para dar continuidade à exploração capitalista, mas destruído pelo proletariado revolucionário através de uma revolução socialista.

Esse movimento, cujo nome 15-M (em referência ao dia das primeiras manifestações) já é em si uma tentativa de omitir qualquer identificação política e ideológica, logo obteve o apoio de ONG(s) e foi saudado com grande alarde pela grande família da esquerda revisionista e pseudotrotskistas, que o apresenta como a “Revolução dos Indignados” inspirada na “Revolução Árabe”, outra grande farsa montada cinicamente por esses traidores para justificar seu criminoso apoio aos “rebeldes” aliados das forças de intervenção militar da OTAN na Líbia.

Os organizadores do movimento “Democracia Real Já!”, principal responsável pela convocação e organização das manifestações, o que mostra que estas não são assim tão espontâneas como faz crer a visão torpe da esquerda revisionista que enxerga uma revolução em qualquer grito de protesto, apresentaram um conjunto de medidas que consideram “essenciais para a regeneração de nosso sistema político e econômico”, entre as quais se destacam as reduções de jornada de trabalho para acabar com o desemprego estrutural, ou seja, manter as taxas de desemprego abaixo de 5%; aposentadoria aos 65 anos; auxílio aluguel para jovens e para as pessoas de poucos recursos. Na área educacional em vez de defender a educação pública e gratuita em todos os níveis, reivindicam a “redução do custo da matrícula em toda a educação universitária, equiparando o preço de pós-graduação aos de graduação”. A maioria dessas reformas não podem mais ser realizadas no atual estágio de decomposição do capitalismo e muito menos na atual conjuntura de crise. Mas se isso fosse possível, tais medidas não poriam em risco a existência desse regime de exploração de classe.

Ainda mais utópicas são as propostas de controle sobre as instituições financeiras, que reivindicam a devolução aos cofres públicos de todo o capital público fornecido aos bancos, sanções aos movimentos especulativos e às “más práticas bancárias”, o controle da fraude fiscal e da fuga de capitais para paraísos fiscais. Tudo isso realizado nos marcos da ordem social burguesa, por meio de uma regeneração do sistema político com a “eliminação dos privilégios da classe política”, objetivos que seriam alcançados, segundo o manifesto da “Democracia Real Já!”, através de uma “revolução ética”.

ARMAR A JUVENTUDE E OS TRABALHADORES COM UM PROGRAMA REVOLUCIONÁRIO

Esse programa tão rebaixado e utópico não atrai os setores mais combativos e conscientes do proletariado. Essas reivindicações estão a anos-luz das reais necessidades dos trabalhadores, que quando se levantam em defesa de seus interesses, questionam a propriedade burguesa e utilizam seus próprios métodos de luta, greves, ocupações de fábrica e enfrentamentos com as forças de repressão estatal, métodos com certeza considerados “anti-éticos” aos olhos desses filisteus pequeno burgueses.

Sob essas bandeiras reformistas, a juventude e as massas exploradas que se mostram “indignados”, não poderão se armar politicamente para enfrentar a onda reacionária que se aproxima com a agudização da crise econômica e a ascensão política da direita fascistizante. Somente uma política de independência de classe do proletariado baseada num programa que defenda a necessidade da destruição do Estado burguês através de uma revolução socialista pode armar a juventude e os trabalhadores para enfrentar a catástrofe gerada pela agonia do sistema de exploração capitalista. A tarefa que se coloca, portanto, para a juventude e as massas trabalhadoras na Espanha e outros países da Europa é transformar sua indignação em ação consciente, construindo o instrumento capaz de levantar esse programa revolucionário, o partido da revolução proletária mundial.

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