Venezuela anuncia volta à normalidade nas exportações de petróleo

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Publicado domingo, 9 de março de 2003 as 17:34, por: cdb

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou neste domingo que a estatal, Petróleos de Venezuela S/A (PDVSA), suspendeu a chamada “força maior” que interrompeu as exportações desde dezembro passado, após uma greve de gerentes, e afirmou que a produção de petróleo superou já os 2,8 milhões de barris ao dia.

“Quero anunciar ao mundo, sobretudo a nossos clientes, que decidimos a partir deste momento suspender a ´força maior´ em todas as atividades operacionais de PDVSA”, disse Chávez, após tomar juramento da nova diretoria da estatal petroleira.

Apesar da sabotagem da alta gerência da empresa e de um número impreciso de capitães de sua frota mercante, iniciado na segunda semana de dezembro, o governo venezuelano está a ponto de normalizar a extração, produção e refinação do petróleo, após despedir mais de 12 mil empregados (de um total de 36 mil), em sua maioria, supervisores e integrantes da chamada lista maior. Chávez atribuiu a “recuperação vertiginosa” da indústria petroleira ao esforço de “todos os trabalhadores” da lista obreira, do povo e da Força Armada, que não se somaram “à sabotagem”.

Na presidência da PDVSA foi ratificado Alí Rodríguez Araque, ex-secretário geral da Organização de Países Exportadores de Petróleo, e como novos diretores foram juramentados Félix Rodríguez, Dexter Rodríguez, Luis Vielma, Nelson Núñez e Rafael Rosales. Esta é a sexta diretoria da estatal petroleira que juramenta o presidente venezuelano desde que assumiu o Governo, em fevereiro de 1999.

Chávez afirmou que a produção venezuelana atual é de “2.658.000 barris-diários” de cru, “ao que há que somar 150.000 barris de líquidos condensados e outros, para chegar à soma total em produção de barris de 2.808.000”.

Destacou que “as associações estratégicas e os convênios operativos já estão trabalhando 100%, que há pleno abastecimento de gás e que estamos chegando ao pleno abastecimento de combustível” no mercado interno.

“Já estamos exportando gás ao Caribe, América do Sul e outras partes do mundo, e os barcos também estão chegando bem a portos venezuelanos após alguns problemas na semana passada”, afirmou.

Com uma paralisação geral empresarial e a paralisação da estatal petroleira, ações que custaram ao país mais de oito bilhões de dólares, a oposição tentou entre dezembro e janeiro obrigar Chávez a renunciar o cargo ou aceitar o adiantamento de eleições, uma possibilidade não prevista na Constituição vigente.

Antes da paralisação e da sabotagem petroleira, a Venezuela era o quinto exportador mundial, com uma produção perto dos 3 milhões de barris-diários, e estava entre os quatro principais abastecedores dos Estados Unidos. Chávez encomendou à nova diretoria de PDVSA “um trabalho intenso de revisão a fundo de todas as áreas de nossa empresa”, que não só deve ser “reestruturada, mas re-fundada em seus valores, visão e planos, que não podem ser outros que os do desenvolvimento nacional”.

Chávez reiterou que “não haverá anistia” para os despedidos, e advogou pelo “impulso de demandas jurídicas contra os sabotadores para que paguem o terrível mal que fizeram ao país”. Seis ex-gerentes petroleiros, cabeças visíveis da greve na PDVSA, estão fugidos da justiça após um tribunal de Caracas ter ordenado sua prisão por petição da Procuradoria Geral, imputando-lhes os delitos de “rebelião civil, danos à indústria petroleira e interrupção do abastecimento de energia e de gás”.

*Aram Aharonian é presidente da Associação Latino-americana para a Comunicação Social, diretor da revista “Question”, com Le Monde Diplomatique