Vendas do comércio acumulam alta de 8,33% em 12 meses

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Publicado terça-feira, 18 de janeiro de 2005 as 17:54, por: cdb


A melhoria das condições de acesso dos consumidores ao crédito garantiu ao comércio varejista em 2004 o primeiro resultado positivo nas vendas após três anos consecutivos de queda. O aumento é o primeiro a ser registrado na série histórica da pesquisa de comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2001. De janeiro a novembro do ano passado, o setor acumulou um aumento de 8,98% nas vendas e, em 12 meses, o crescimento foi de 8,33%. Apesar do resultado anual recorde, houve perda no ritmo de expansão do setor em novembro. Mesmo assim, dezembro deverá registrar um volume de vendas superior ao do ano anterior, o que garantirá o bom saldo anual.

Para o técnico do Departamento de Comércio Nilo Lopes, apesar da redução da magnitude dos aumentos das vendas nos últimos meses, já é possível afirmar que o crescimento do comércio no acumulado em 2004 não será inferior a 8%. O resultado final do ano será divulgado em fevereiro.

Segundo ele, os dados do ano deverão levar a um crescimento acumulado em torno de 2,5% nas vendas do setor de 2001 até o ano passado. Ou seja, o crescimento de 2004 vai possibilitar ganhos além das perdas dos anos anteriores: 2001 (-1,57%); 2002 (-0,70%) e 2003 (-3,67%). O técnico destacou que o bom desempenho do comércio foi puxado especialmente pelo crédito, que impulsionou sobretudo as vendas de móveis e eletrodomésticos.

Em novembro, na comparação com igual mês de 2003, as vendas do varejo cresceram 6,44%, desacelerando o aumento em relação a outubro (8,39% ante outubro 2003). Para essa pesquisa, o IBGE não divulga dados comparativos a mês anterior. Segundo Lopes, a base de comparação mais elevada e o “esgotamento” do ciclo do crédito foram os principais fatores responsáveis pelo menor ritmo de expansão de um mês para o outro.

Para a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o varejo vai fechar 2004 com um crescimento acumulado de 9%. O chefe do Departamento de Economia da instituição, Carlos Thadeu de Freitas, disse que a desaceleração do ritmo de aumento das vendas em novembro não preocupa porque, “após um período de grande expansão das vendas reais em 2004, a tendência é de que se tenha uma desaceleração no ritmo do crescimento em 2005. Como no ano passado as vendas foram significativas, acréscimos sobre uma base forte representam resultados favoráveis.”

Duráveis 

O  técnico do IBGE sublinhou que as vendas de móveis e eletrodomésticos, com crescimento acumulado de 26,95% de janeiro a novembro, foram o grande destaque do varejo em 2004. Além do crédito, ele cita a demanda reprimida de anos anteriores e os vários lançamentos de produtos e inovações como justificativa para o ótimo desempenho de móveis e eletrodomésticos no ano passado.

Apesar do resultado recorde após três anos consecutivos de queda nas vendas, o segmento também começa a desacelerar o crescimento, com aumento de 22,44% em novembro, depois de perder ritmo gradualmente após o ápice do crescimento registrado em junho (36,25%). Lopes disse que, tanto para o varejo em geral quanto para móveis e eletrodomésticos, a desaceleração no aumento das vendas é resultado especialmente dos sinais de esgotamento do ciclo do crédito, já que, segundo ele, as famílias têm um limite de endividamento.

Ele acredita, assim como Thadeu de Freitas, que a tendência é de que os crescimentos nas vendas do comércio prossigam, mas em taxas mais baixas porque o desempenho a partir de agora deverá ser puxado pela recuperação da renda dos trabalhadores e do emprego.

– A partir de agora, com melhoria da renda e do emprego, o setor poderá registrar taxas mais baixas, mas com uma durabilidade maior porque esses estímulos têm uma base mais estável do que o crédito. O estímulo da renda e do emprego pode perdurar a longo prazo, mesmo que os crescimento das vendas tenha ritmo mais lento – disse.