Venda de ativos da Petrobras marca início do desmonte promovido por golpistas

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Publicado sábado, 30 de julho de 2016 as 17:30, por: cdb

A operação comercial marca o início do desmonte da Petrobras no governo golpista, um dos principais objetivos do golpe de Estado orquestrado pelas forças da ultradireita, no país

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

A venda inédita de ativos da Petrobras, anunciada na madrugada desta sexta-feira, permite a exploração do pré-sal no campo Carcará, na Bacia de Santos, pela petroleira norueguesa Statoil. Esta é a primeira venda da estatal de um campo de exploração do pré-sal.

A exploração do Pré-sal tem sido transferida pela Petrobras, sistematicamente, aos interesses internacionais
A exploração do Pré-sal tem sido transferida pela Petrobras, sistematicamente, aos interesses internacionais

A operação comercial marca o início do desmonte da estatal no governo golpista, um dos principais objetivos do golpe de Estado orquestrado pelas forças da ultradireita, no país. “É necessário que a população se mobilize contra o golpe de Estado, que vai entregar todo o patrimônio nacional para o imperialismo”, afirma jornal Causa Operária, em sua edição deste sábado.

Nesta manhã, o Conselho de Administração da Petrobras anunciou a venda de participação da empresa no bloco exploratório BM-S-8, onde está a promissora área do pré-sal de Carcará, mas a companhia terá de esperar o cumprimento de uma série de condicionantes para receber a totalidade dos 2,5 bilhões de dólares acordados, algo que só deverá ocorrer em 2018.

Desmonte da Petrobras

A venda para a petroleira norueguesa Statoil da fatia de 66% no bloco na Bacia de Santos, em um negócio raro no setor que deve ajudar a Petrobras a lidar com o cenário de preços baixos da commodity, marca a primeira grande área do pré-sal incluída no plano de desinvestimentos da estatal.

Mas a conclusão do acordo, e o recebimento dos US$ 2,5 bilhões, depende de condicionantes como realização de um acordo de unitização, já que a descoberta de Carcará extrapola os limites do contrato, conforme citaram as empresas no acordo. Antes disso, no entanto, deverá ocorrer uma mudança na lei para que outras empresas que não a Petrobras possam ser operadoras de áreas no pré-sal sob o regime de partilha –algo que está encaminhado no Congresso Nacional. Será preciso ainda aguardar um leilão das áreas a serem unitizadas, licitação que a Statoil considera participar.

— Nós temos aí uma intenção bastante firme do Ministério de Minas e Energia de que a gente faça o processo de licitação…, que é um marco que fez parte dessa negociação, até meados do ano que vem… — disse a jornalistas a diretora de Exploração & Produção da Petrobras, Solange Guedes, acrescentando que o “segundo marco”, que é o acordo de individualização da produção, está previsto para 2018.

Ao anunciar o acordo nesta sexta-feira, Petrobras informou que a primeira parcela do valor negociado, correspondente a 50 por cento do preço total (1,25 bilhão de dólares), será paga no fechamento da operação –mas não estabeleceu uma data.
Já o valor restante será pago através de parcelas contingentes relacionadas a eventos subsequentes como a unitização, até 2018, conforme explicou Solange.

Com a venda de uma área como Carcará, onde testes comprovaram alta produtividade dos poços, numa das maiores descobertas de petróleo no mundo nos últimos anos, a Petrobras coloca em prática o que seu presidente-executivo Pedro Parente tem chamado de “plano de desinvestimento sem dogmas”. O programa de venda de ativos é ancorado no argumento de que há enorme endividamento líquido, de cerca de R$ 370 bilhões.

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