Vaticano divulga documentos sobre relação com nazistas

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Publicado sábado, 15 de fevereiro de 2003 as 15:42, por: cdb

O Vaticano anunciou neste sábado que está abrindo os seus arquivos sobre a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de esclarecer o relacionamento entre os nazistas e a Igreja Católica na época, que é acusada de pouco ter feito contra o Holocausto.

Os arquivos incluem documentos pessoais do embaixador do Vaticano em Berlim entre 1922 e 1929, cardeal Eugenio Pacelli, que foi nomeado papa durante a Segunda Guerra Mundial.

Como papa Pio XII, que liderou a Igreja Católica entre 1939 e 1958, Pacelli é há muito tempo acusado pelos judeus de “fechar os olhos” à perseguição sofrida por eles durante o nazismo.

Os arquivos foram abertos, mas continuam restritos a acadêmicos. Segundo Sergio Pagano, que gerencia os arquivos, a maior parte dos documentos já foi publicada.

Material interessante

“Mais um material mais interessante ficará disponível a historiadores em um período de três anos”, disse Pagano ao jornal italiano Corriere della Sera.

Pagano lembrou que a demora na abertura dos arquivos não tem a intemção de esconder algo, mas não será feita agora por falta de pessoal no Vaticano.

O Vaticano admitiu, no entanto, que a maior parte dos arquivos entre 1931 e 1934, anos antes da guerra, está “ou destruída ou perdida”.

Em 2001, acadêmicos judeus e católicos que investigavam as relações entre o Vaticano e os nazistas suspenderam sua pesquisa, alegando que muita coisa havia sido escondida deles.

O Vaticano há muito enfrenta críticas por conta da postura de Pio XII, que não teria se pronunciado contra a perseguição nazista aos judeus.

A Igreja Católica também não teria revelado detalhes do possível envolvimento do papa no Holocausto, que provocou a morte de seis milhões de judeus, bem como de ciganos e homossexuais.

Em março de 2000, o papa João Paulo II pediu desculpas a qualquer postura incorreta dos católicos em relação aos judeus, às minorias e às mulheres.