Varig investe em novas rotas na América Latina

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Publicado sexta-feira, 17 de setembro de 2004 as 11:03, por: cdb

Na próxima terça-feira, a Varig, empresa líder entre as companhias aéreas brasileiras nas linhas internacionais inicia nova política de integração da região, com o começo da operação do recém-chegado Boeing 757-200 que fará a rota diária Buenos Aires/São Paulo/Lima.

– Será o mais novo avião da nossa frota, fabricado em 2001, e o maior a ser usado por uma empresa nas rotas sul-americanas – disse o vice-presidente de Planejamento da Varig, Alberto Fajerman, em referência direta à concorrente Gol, que pretende começar a voar para Buenos Aires este ano.

O 757-200 tem 176 assentos, sendo 20 na classe executiva e 156 na econômica.

– É maior do que da Gol, que tem 160 assentos e só uma classe – diferencia Fajerman.

Mais três aeronaves, do mesmo modelo e que farão outras rotas, chegarão à empresa até dezembro em sistema de leasing com a americana ILFC. O segundo avião chegará no dia 26 para iniciar em outubro a rota diária Rio/São Paulo/Caracas, com desvio duas vezes por semana para Aruba.

No final do ano, a Varig entra em um nicho novo para a companhia, ligando Manaus e capitais da região Nordeste a Buenos Aires.

– Queremos nos consolidar como a empresa da integração da América do Sul. O presidente Lula abriu um bom caminho e queremos acompanhar, tanto para executivos como para turistas – afirmou Fajerman.

Ele aposta no incremento do turismo asiático, que terá como porta de entrada o Brasil, mas deverá explorar outros países do continente. As novas rotas vão evitar que os passageiros troquem de aviões, otimizando os custos para a companhia que luta há anos contra uma pesada dívida – atualmente em R$ 6,5 bilhões – ao mesmo tempo que vem obtendo lucro operacional.

Com a promessa de renovação da concessão garantida esta semana pelo próprio ministro da Defesa, José Viegas, Fajerman se diz tranquilo em relação ao futuro da Varig e não teme seu desmantelamento no plano que está sendo elaborado pelo governo para o setor aéreo.

– A Varig é uma marca tão forte que não faltarão soluções criativas – avaliou, informando que nada ainda foi decidido em relação a uma possível ajuda financeira à companhia.

Ele admitiu ainda que, para não continuar a perder mercado doméstico, não está descartada a criação de uma empresa popular, já apelidada pelo mercado como VarigPop. Entre janeiro e agosto passados, a fatia da Varig era de 30,35% e, há um ano, era de 34,52%, quando ainda era líder.

– Hoje o consumidor está olhando principalmente o preço. Se a gente chegar a conclusão que é isso que ele quer, nós faremos – afirmou.