Varig e TAM começam a operar juntas

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Publicado segunda-feira, 10 de março de 2003 as 11:35, por: cdb

Começa nesta segunda-feira a operação conjunta de Varig e TAM para nove destinos no mercado doméstico. As duas empresas anunciaram no início de fevereiro que pretendem unir suas operações para enfrentar uma crise que atingiu todo o setor no Brasil.

O primeiro passo para a fusão inclui operação conjunta no “filé-mignon” do mercado brasileiro, a ponte aérea Rio-São Paulo, e em vôos para Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Florianópolis e Vitória.

De acordo com decisão dos órgãos responsáveis pelo controle da concorrência no país, as empresas poderão operar em acordo de “code-sharing” (compartilhamento de códigos), como anunciado no último dia 24 de fevereiro, desde que até o próximo dia 19 de março não devolvam aeronaves, não troquem informações sobre preços de passagens, nem unifiquem políticas comerciais ou de vendas ou adotem outras medidas dentro do acordo de parceria.

Segundo fontes das empresas, nenhuma dessas medidas estava prevista para ocorrer até a data estipulada pelo governo, e, portanto, não irão atrapalhar os planos de voar em sistema de parceria para nove destinos no país.

Até 19 de março, o governo vai analisar se aprova a continuidade da operação. Ao fim desse prazo, as empresas deverão assinar um acordo mais amplo para garantir que iniciativas que antecedam a decisão final das autoridades de concorrência sobre a parceria possam ser revertidas se a mesma não se concretizar.

Segundo o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), João Grandino Rodas, a decisão do governo tem por objetivo preservar o mercado durante o período de negociações entre as duas empresas. “Essa colocação é para coibir ações irreversíveis até que se especifique as práticas das empresas (na fusão)”, disse ao fazer o anúncio da assinatura do acordo prévio, da qual participaram representantes das duas companhias.

A medida veio para tentar aplacar as dúvidas a respeito da fusão das duas maiores companhias aéreas brasileiras, prevista para ocorrer até junho. As companhias amargaram prejuízos elevados no ano passado. Até setembro, a TAM havia perdido R$ 619 milhões. A Varig, que há cinco anos opera no vermelho, só apresentou o balanço até o primeiro semestre de 2002, quando já acumulava prejuízo de R$ 1 bilhão. Os balanços referentes ao exercício do ano passado deverão ser apresentados em abril pelas duas companhias.

As duas companhias estão com baixa taxa de ocupação nas suas aeronaves e sofrem com o impacto do câmbio nos seus custos, predominantemente em dólares. Apesar do acordo de “code-sharing” (compartilhamento de vôos) as empresas continuarão com suas identidades. A TAM manterá o sistema de reservas da ponte aérea em sua cota dentro dos aviões da Varig, que por sua vez continuará sem essa prática. Os programas de milhagem também serão contabilizados separadamente.

Analistas de mercado avaliam que a fusão entre Varig e TAM é improvável, mas o governo já deixou claro que uma eventual ajuda financeira dependerá das empresas chegarem a um acordo operacional. “O mercado não está acreditando muito, mas não há outra saída para elas. O problema é ver como será feita essa fusão”, avaliou o analista da Corretora Pentágono Marcelo Ribeiro.

Na quinta-feira, a Varig teve seu segundo avião arrestado este ano por falta de pagamento, um 737-200, que foi retido no aeroporto de Miami pela justiça americana.

Na avaliação de alguns analistas, a Varig está entrando numa rota arriscada ao reduzir a oferta de vôos e poderá sair fragilizada dessa operação. “Ainda tem muita gente que não acredita na fusão e acha que a Varig vai sair perdendo nessa história, é só ver o comportamento das ações da empresa”, avaliou o analista da corretora Pentágono especializado em setor aéreo, Marcelo Ribeiro.

Auditoria para fusão fica pronta em 45 dias

A auditoria nas empresas dos grupos Varig e TAM deverá estar pronta em 45 dias, quando será possível saber se a fusão entre as principais companhias aéreas bras