Vale garante viabilidade para volta do trem de passageiros, Madeira questiona detalhes do projeto

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Publicado quarta-feira, 14 de março de 2012 as 10:20, por: cdb

06/03/2012 13h17 – Atualizado em 06/03/2012 13h17 Vale garante viabilidade para volta do trem de passageiros, Madeira questiona detalhes do projeto(Foto : divulgação ASCOM)

 

Sob a coordenação do presidente da Comissão de Obras, Serviços Públicos, Planejamento, Uso, Ocupação e Parcelamento do Solo, vereador José Carneiro Santos, o Buzuca, a Câmara Municipal de Imperatriz debateu em audiência pública realizada na manhã de terça-feira (6), o retorno do trem de passageiros na ferrovia Norte-Sul. A sessão que contou com a presença maciça dos vereadores, do prefeito Sebastião Madeira e do deputado federal Chiquinho Escórcio, foi proposta pelo vereador Hamilton Miranda.

            Entretanto, os holofotes estavam todos voltados para José Osvaldo Cruz, gerente de Relações Institucionais da Ferrovia Norte-Sul, que apresentou o esboço de um estudo de implantação do projeto, cobrado pelos políticos, que representa o desejo da população desta região, notadamente a mais carente. Osvaldo Cruz apresentou o projeto minuciosamente, respondeu as indagações dos presentes e garantiu que a diretoria da Vale acha viável a implantação do projeto, embora os investimentos sejam muito altos.

            De acordo com o gerente, o estudo inicial apresenta um investimento total em torno de R$ 190 milhões, “mas com alguns ajustes, ele pode cair para R$ 130 milhões”. Os gastos a que José Osvaldo Cruz se refere, diz respeito à implantação do sistema de sinalização da ferrovia, de cercas eletrônicas, da adequação das estações ferroviárias de Açailândia, São Francisco do Brejão e Imperatriz, além da construção da estação de Porto Franco e de uma parada em Estreito.

            Osvaldo Cruz informou que o modelo de trem que deverá percorrer a Norte-Sul de Açailândia (MA) a Porto nacional (TO) possui uma classe executiva para 80 passageiros; cinco carros para a classe econômica, com capacidade para 88 passageiros cada um, um carro para bagagem, outro destinado a passageiros com necessidades especiais, lanchonete e restaurante. A locomotiva é formada por 12 carros no total, sendo 6 trens por semana nos dois sentidos.

            O gerente de Relações Institucionais da Vale disse se tratar de um processo muito complexo, “sobretudo, no que diz respeito à segurança da operação, uma vez que temos várias travessias e moradias muito próximas à linha férrea”. Osvaldo Cruz reafirmou a necessidade desse estudo e disse que a resposta da diretoria da Vale virá com a sua conclusão. “A Vale está convencida que o serviço de trem de passageiros nesta região é viável”, disse o representante da mineradora, garantindo que, “até o dia 27 de março traremos a proposta definitiva da implantação do trem de passageiros”.

 

Prefeito Madeira questiona o gerente da Vale

       Único prefeito presente na audiência pública, apesar de todos os prefeitos dos municípios que cortam a ferrovia no lado maranhense terem sido convidados, Sebastião Madeira, se disse ressabiado, razão porque questionou o gerente da Vale, cobrando dele explicações plausíveis e detalhadas.

O mesmo ocorreu com o deputado Chiquinho Escórcio, que cobrou detalhes e agilidade na implantação do projeto. O gestor imperatrizense elencou algumas indagações que afirma ser de extrema importância para que ele possa se sentir seguro, e a comunidade, principalmente a mais carente, possa viver a expectativa do retorno desse transporte considerado seguro e barato.

             Madeira quis saber se já existe uma decisão da diretoria da Vale em instalar o projeto. “Se foi tomada esta decisão, qual o cronograma de instalação? Quem vai operar? Essa iniciativa é provocada por pressão política?”, quis saber o prefeito Madeira, ressaltando que achou muito vago a implantação do terminal de logística em Imperatriz.

            O deputado federal Chiquinho Escórcio, por sua vez, disse que a Vale utiliza o estado por meio das ferrovias e transporte, “mas não cumpre em sua totalidade com a responsabilidade social que tem com o povo do Maranhão”. Disse, entretanto, que estava confiado na implantação do projeto, pois acreditava na palavra do gerente José Osvaldo Cruz.

            O gerente, por seu turno, observou que em outros países o governo se responsabiliza pela estrutura das ferrovias para que as empresas possam operar. “No Brasil, temos que operar, mas temos que construir”, explicou Osvaldo Cruz, acrescentando que em nenhum lugar do mundo transporte férreo de passageiros dá lucro, “mas nós acreditamos na viabilidade desse projeto”, concluiu