Vale acerta novos aumentos para minério vendido á China

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Publicado sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008 as 13:15, por: cdb

O grupo Baosteel concordou, em nome das siderúrgicas chinesas, com o pagamento de 65% de reajuste sobre o preço do minério de ferro fornecido pela Vale e 71% a mais pelo minério de maior qualidade de Carajás, informou a fabricante de aço chinesa, em nota ao mercado, distribuída nesta sexta-feira. O acordo coloca pressão sobre as mineradoras australianas Rio Tinto e BHP Billiton para concluírem acordo similar com seus clientes asiáticos, apesar de ainda insistirem em reajustes maiores.

Siderúrgicas do Japão, Coréia do Sul, Alemanha e da Itália já concordaram com a Vale em pagar 65% mais pelo minério vindo de Itabira ou Sistema Sul a partir de 1º de abril.

As siderúrgicas asiáticas pagarão 71% mais e a alemã ThyssenKrupp e a italiana Ilva 66% mais pelo minério de Carajás, o que efetivamente remove o desconto que a Vale chegou a conceder a clientes asiáticos, para compensar as longas distâncias de envio da commodity. A Rio Tinto, que vinha agressivamente pressionando para obter um reajuste maior por seu minério por causa dos custos menores de transporte para a Ásia, afirmou que seu produto tem qualidade similar ao de Carajás e por isso merece um aumento similar.

– Acreditamos que o produto de Pilbara está mais próximo (em qualidade) de Carajás do que de Itabira. Não acho que as companhias australianas podem pedir mais. Negociações de preço de minério são uma tradição internacional. Se uma companhia decide, outras têm que seguir. Ninguém pode mudar isso – disse o diretor da Rio Tinto para a China, Anthony Loo, a jornalistas esta semana.

A Baosteel e mineradoras australianas reúnem-se no início da próxima semana, afirmaram operadores. Se as empresas da Austrália aceitarem os mesmos termos acertados pela Vale, o minério de ferro australiano chegará à China a cerca de 120-130 dólares a tonelada de acordo com as taxas de frete atuais. Isso representa um preço 30 dólares mais barato que as cargas despachadas do Brasil.Enquanto isso, os envios de minério da Índia no mercado à vista são ainda mais caras do que o minério de mais alta qualidade do Brasil ou da Austrália. Esse valor maior frusta as três maiores mineradoras.

O minério indiano custa cerca de US$ 194 por tonelada, incluindo custos e frete. Em dezembro a commodity indiana bateu recorde, custando cerca de US$ 200 a tonelada.