Uso de base italiana por pára-quedistas ainda é polêmica

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Publicado quinta-feira, 27 de março de 2003 as 17:30, por: cdb

A polêmica sobre o uso das bases militares americanas na Itália aumentou nesta quinta-feira, depois da divulgação da notícia de que foi de Vicenza (norte do país) que partiram as unidades pára-quedistas lançadas no norte do Iraque.

Os vários partidos de oposição solicitaram que o Governo se apresente urgentemente no Parlamento para explicar a suposta autorização da base, o que violaria os acordos entre o Governo italiano e Washington, segundo os quais não seriam utilizadas para operações diretas.

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, rejeitou as acusações da oposição de centro-esquerda e garantiu que da base aérea americana em Vicenza “não partem ataques diretos a alvos no Iraque”.

Em Vicenza, está estacionada a 173ª Brigada Aerotransportada, cujos pára-quedistas começaram nesta quinta-feira a ser lançados no Curdistão iraquiano, com a ocupação do aeroporto de Harir, próximo a Arbil.

Como explicou nesta quinta-feira o general de Brigada, Vincent Brooks, numa entrevista no comando central, no Catar, essas tropas “podem ser utilizadas para o ataque”, mas em princípio sua missão é a de proteger as áreas sob controle curdo.

As declarações públicas originaram uma tempestade política na Itália, pois a oposição afirma que a atitude fere os acordos alcançados com o Pentágono.

As duas Câmaras parlamentares italianas aprovaram no último dia 19, com os votos da maioria conservadora, o não envio de tropas e a abertura de bases e do espaço aéreo ao Pentágono, com o compromisso de que não fossem utilizados para atacar diretamente o Iraque.

O ministro para as Relações com o Parlamento, Carlo Giovanardi, negou na última quarta-feira (26) que os ataque diretos tenham partido da Itália, lembrando que a posição oficial do país no conflito iraquiano é de “não-beligerância”.

As afirmações de Giovanardi, repetidas nesta quinta-feira por Berlusconi, “foram desmentidas pelo comando americano”, como denunciou o secretário-geral dos Democratas de Esquerda (DS), Piero Fassino.

Os acordos para a utilização de bases americanas, entre elas a de Vicenza, obrigam o Exército dos EUA a informar ao comando militar italiano sobre todas as operações que realizadas a partir delas e, por isso, acredita a oposição, a Itália deveria conhecer o destino das tropas aerotransportadas.