Usina de reciclagem na zona rural de BH causa polêmica

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Publicado sexta-feira, 12 de setembro de 2003 as 03:35, por: cdb

O projeto ainda está em fase inicial e depende da aprovação da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), mas a idéia de instalar, na zona rural, uma usina de reciclagem e tratamento de resíduos industriais está mexendo com os nervos de empresários, políticos e ambientalistas em Juatuba, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

– Reconheço que um empreendimento desses é necessário, faz parte da economia sustentável. Só não concordo com o local e a forma como o negócio está sendo tocad0 – afirmou o empresário Aristides França, proprietário da Fazenda Cachoeira, vizinha da Fazenda Santa Rosa, adquirida pela empresa Onyx-SGR, do grupo francês Veolia Environment, para a implantação do Centro Industrial de Atividades Ambientais.

Além de extensa área verde, a propriedade fica próxima a uma nascente de água mineral e a uma represa da Copasa.

– Jamais permitiria que uma empresa se instalasse no município sem o devido licenciamento – defende-se o prefeito Pedro Firmino Magesty (PMDB), diante da polêmica em que o assunto se transformou, no último jornal publicado pela prefeitura em circulação.

Procurado pela reportagem, a informação na prefeitura era de que ele estava ontem em Brasília (DF). Mas, de olho no investimento de R$ 72 milhões, o prefeito teria concedido em abril declaração à empresa para que ela iniciasse o pedido de Licença Prévia junto à Feam.

E, diante de futuros problemas legais, em julho, dois meses depois, encaminhou à Câmara Municipal projeto alterando a Lei de Uso e Ocupação do Solo – alterando a designação da área em que a empresa pretende instalar o aterro de ‘rural’ para ‘uso múltiplo’.

De acordo com o assessor da Divisão de Indústria, Comércio, Agropecuária e Meio Ambiente de Juatuba, Wilson Martins; o empreendimento deve gerar 250 empregos diretos e atrair várias empresas para a região.
 
A escolha do local, a uma distância inferior a 30 quilômetros das maiores indústrias da RMBH, foi estratégica para beneficiar os potenciais clientes que hoje pagam altos fretes para transportar o descarte industrial em usinas semelhantes no Espírito Santo, Bahia e em São Paulo.

– Há muitos interesses envolvidos e estão esquecendo dos problemas ambientais e sociais que esse lixão pode provocar – dispara o vereador Otto Barroso Faleiro (PSB).

Localizada às margens da BR-262, na altura do Km 379, a Fazenda Santa Rosa, segundo ele, com seus 260 hectares, fica a três quilômetros de uma nascente de água mineral, 117 metros de uma área urbana onde vivem cerca de 300 pessoas e a menos de cinco quilômetro da represa da Copasa, que capta água para o sistema Serra Azul.

A polêmica promete esquentar ainda mais nos próximos dias.
Inconformados com a possibilidade de que o empreendimento se torne realidade no segundo semestre de 2004, dentro da meta estabelecida pela empresa, os opositores do projeto estão se articulando para mobilizar a população e pressionar para a realização de audiências públicas, previstas no processo de avaliação do pedido pela Feam.

Eles aguardam ainda a visita de parlamentares da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa à área.

– Essa região tem um potencial turístico muito grande. É o chamado ‘Circuito Verde’. Um projeto dessa magnitude não tem paralelo. As pessoas e seus projetos não podem ser descartadas assim – defende o também empresário Francisco Ullmann Neto.

Responsável pela geração de 200 empregos – no restaurante, fazenda, floricultura e com a exploração e venda de água mineral em sua propriedade -, ele teme que a possível contaminação do lençol freático comprometa a sua atividade e espante a clientela.

O pedido de licenciamento ambiental para a instalação da primeira usina de tratamento de lixo industrial em Minas foi protocolado na Feam em 9 de junho último.
 
O órgão, de acordo com assessoria de imprensa, iniciou a análise do Estudo de Impacto Am