URUGUAI DEVE REPARAR SOMENTE A MACARENA GELMAN DURANTE ATO

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Publicado quinta-feira, 8 de março de 2012 as 16:07, por: cdb

MONTEVIDÉU, 8 MAR (ANSA) – O governo do Uruguai irá se limitar a assumir a responsabilidade pela morte da mãe da cidadã Macarena Gelman, durante um ato que será realizado no dia 21, e não de outras violações aos direitos humanos que foram realizadas durante a ditadura (1973-1985).
   
O país dispôs a pagar a soma de US$ 513 mil (cerca de R$ 907,2 mil) a Gelman pelo desaparecimento em 1976 de sua mãe, María Claudia García, nora do poeta argentino Juan Gelman, cumprindo uma decisão judicial estipulada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) em fevereiro de 2011.
   
O secretário da Presidência, Alberto Breccia, disse hoje em entrevista à ANSA que o evento será somente um ato de reparação e que não haverá pedido de perdão por outros crimes de lesa-humanidade cometidos no país, como havia sido divulgado anteriormente.
   
O anúncio foi feito hoje pelo presidente uruguaio, José Mujica. Ele afirmou que será realizada a estrita ordem do requerimento jurídico “que nos manda a decisão, nem um milímetro a mais nem a menos” e acrescentou que o evento trata de “cumprir de boa fé com uma decisão que temos que acatar”.
   
“Diante da família Gelman, como determinado pela decisão da Corte Interamericana de Justiça em sua sentença, vamos assumir a responsabilidade do Estado — que não é o mesmo que o governo — diante dos acontecimentos julgados como relacionados à sorte de sua família”, disse o mandatário.
   
O chefe de Estado uruguaio ainda disse não estar convencido de que esta seja uma data definitiva “nem nada do estilo”.
   
A mãe de Gelman foi seqüestrada em Buenos Aires junto com o marido, Marcelo Gelman, em agosto de 1976 , quando estava grávida, e depois foi transferida ilegalmente para Montevidéu no âmbito do Plano Condor, que coordenou a repressão durante os regimes militares do Cone Sul entre os anos de 1970 e 1980.
   
Depois de dar à luz em cativeiro, ela foi executada e seus restos permanecem desde então desaparecidos. O pai de Macarena, Marcelo Gelman, foi assassinado em Buenos Aires, onde seu corpo foi encontrado e identificado em 1989. (ANSA)