Uribe, Sarkozy e Farc

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 as 23:39, por: cdb

O presidente da Colômbia viajou à Europa com três objetivos por ele tornados públicos: insistir na qualificação das Farc como agrupamento terrorista; buscar apoio internacional para exigir a libertação dos reféns mediante o reengajamento da França, Suíça e Espanha como facilitadores do processo; persistir na intermediação da Igreja como facilitadora de um intercâmbio de reféns e prisioneiros em um “ponto de encontro” por ele sugerido.

A primeira reunião dessa viagem se daria em Paris porque é exatamente o governo francês que mais pressiona por uma solução de que resulte a libertação dos reféns das Farc, especialmente  a franco-colombiana Ingrid Betancourt.

Do encontro Uribe-Sarkozy resultou um comunicado em francês que traduzimos, na íntegra, para em seguida fazermos alguns comentários:  

Comunicado da reunião com o Sr. Alvaro Uribe, Presidente da República da Colômbia

O Presidente da República, Nicolas Sarkozy, e o Presidente colombiano, Sr. Alvaro Uribe, mantiveram encontro hoje (21 de janeiro) no Palácio do Eliseu. A troca de impressões focou-se particularmente sobre a questão dos reféns e os meios de conseguir sua libertação.

O Presidente da República agradeceu a seu homólogo por ter facilitado a libertação recente de duas reféns, a Sras. Clara Rojas e Consuelo Gonzalez de Perdomo. Encorajou-o a prosseguir nesta direção com o fim de facilitar novas libertações.

O Presidente da República reafirmou a seu homólogo o empenho da França e sua determinação pessoal de contribuir para uma rápida solução do drama que os reféns estão vivendo. Alentou-o a não excluir nenhuma colaboração útil, a fim de permitir em particular a libertação imediata dos reféns mulheres ou enfermos, entre os quais a nossa compatriota Ingrid Betancourt.
 
No que diz respeito à facilitação da Igreja, o Presidente da República garantiu que a França apóia todas as iniciativas suscetíveis de contribuir para a libertação dos reféns. Quanto ao reengajamento direto dos « 3 países » (Suiça, Espanha e França) a par dessa facilitação, o Presidente da Republica lembrou que ela poderia, de seu ponto de vista, ser útil se esses esforços de facilitação dispuserem de garantias de independência e de margens de discussão indispensáveis ao seu êxito.

O Presidente da Republica reafirmou ao seu interlocutor que a França permanece solidária com as posições da União Européia no que tange à qualificação das Farc e que, do ponto de vista francês, esta questão só poderia ser examinada em função de uma evolução do comportamento das Farc, desejada pela França.

Comentários

Em primeiro lugar Sarkozy instou o presidente Uribe a não excluir nenhuma colaboração útil a fim de permitir a libertação imediata dos cativos das Farc. Isto significa não excluir sequer o único canal eficaz de mediação e facilitação, papel desempenhado pelo presidente Hugo Chávez e a senadora colombiana Piedad Córdoba, que resultou na libertação de duas reféns. E a tanto Uribe não chegará. A propósito, Clara Rojas, uma das seqüestradas recém libertadas, numa entrevista coletiva em Madri, onde se acha para participar de um encontro internacional patrocinado pela Fundação para a Análise e os Estudos Sociais encabeçada pelo ex-presidente espanhol José Maria Aznar, declarou que Hugo Chávez desempenhou papel vital em sua libertação. “Agrada-me seu empenho porque quer a paz”, afirmou nessa ocasião.

Quanto à facilitação da Igreja, Sarkozy garantiu que apóia qualquer iniciativa que vise a libertação dos reféns. Ocorre que embora o governo colombiano garanta que a Igreja já está mantendo contacto com as Farc, o comando da guerrilha desmente que qualquer aproximação esteja ocorrendo. É necessário que se torne público esse contacto sob pena de se criar novamente falsas expectativas o que só agravaria a crise humanitária.

Quanto ao reengajame