Universidade apresenta projeto de defesa nacional

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Publicado quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003 as 19:26, por: cdb

A expectativa de guerra no Iraque, os conflitos internacionais e a questão da segurança nacional são assuntos apresentados no dia-a-dia dos brasileiros, mas sem aprofundamento. Contudo, existe no país um caminho para melhor reflexão e até mesmo decisões a respeito desses temas. Trata-se do projeto Inserção Internacional de Segurança do Brasil, realizado pelo Centro de Estudos das Américas, da Universidade Cândido Mendes, do Rio, apresentado nesta quinta-feira, ao ministro Cristovam Buarque, pelo diretor adjunto do Centro, Clóvis Brigadão.

O projeto é um espaço de pesquisas, eventos e publicações sobre a política externa e de defesa do País. Iniciado em 2000, o projeto está no site candidomendes.edu.br/segnet. Ele identifica e articula informações de universidades, das Forças Amadas, da diplomacia, do Congresso Nacional e da sociedade civil sobre o tema. É elaborado pela Cândido Mendes (a universidade particular mais antiga do Brasil) em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, e apoio da Fundação Konrad Adenaeur, da Alemanha.

A partir deste projeto foram publicados os livros Brasil e o Mundo: Novas Visões, uma coletânea de oito artigos escritos por militares, historiadores, um diplomata e um cientista político; e Concertação Múltipla, Inserção Internacional da Segurança do Brasil, de Clóvis Brigadão. Em maio ou junho próximos, a Cândido Mendes sediará uma reunião com especialistas e estudiosos de segurança nacional e formandos de Relações Internacionais para discutir temas como a guerra no Iraque e a situação da Colômbia.

Outras duas reuniões serão realizadas durante o segundo semestre deste ano em São Paulo, Belo Horizonte ou Brasília para dar seqüência à primeira. “Estamos procurando alavancar informações, dados, análises e perspectiva sobre a política externa, convergindo com a política de defesa, que é recente”, explica Clóvis Brigadão.

Na opinião do professor de Estudos Estratégicos da UFRJ, Domício Proença Júnior, desde 11 de setembro de 2002 o arsenal bélico voltou ao centro das atenções dos relacionamentos internacionais. “No Brasil – prossegue – sofremos muito porque não se pensa antes e, quando surge o problema, as pessoas querem agir, sem refletir”. Segundo ele, os brasileiros precisam ter oportunidade e meios de pensar e construir um conhecimento sobre paz e segurança para tomar melhores decisões. “As áreas de relações internacionais, de paz e segurança, precisam se enraizar no Brasil. O ministro da Educação é pessoa chave para permitir que um campo novo surja e amadureça no País”. No Brasil, por exemplo, há 55 cursos universitários de Relações Internacionais.