União Européia diz que a guerra no Iraque será o “último recurso”

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Publicado segunda-feira, 17 de fevereiro de 2003 as 23:12, por: cdb

A União Européia, em comunicado divulgado ao término de uma reunião de cúpula de emergência nesta segunda-feira, disse que uma guerra no Iraque não é inevitável e que a força deve ser usada apenas como “último recurso”.

Os líderes europeus, contudo advertiram que o Iraque tem que promover “total e efetivo desarmamento”, pois os inspetores da ONU não podem continuar o trabalho indefinidamente sem a cooperação do regime iraquiano.

“Bagdad não deve ter ilusões”, ressalta o comunicado. “Precisa desarmar-se e cooperar de forma imediata e total”.

“O Iraque tem uma última oportunidade de resolver a crise de forma pacífica”, acrescenta o comunicado.

“O regime iraquiano será o único responsável pelas conseqüência, se continuar a fazer pouco caso da determinação da comunidade internacional e não aproveitar esta última oportunidade”.

A declaração foi mais contundente do que a formulada pelos líderes europeus há um mês, quando evitaram fazer referência ao uso da força.

Mas os integrantes da União Européia deram ênfase ao propósito de conseguir o desarmamento iraquiano de forma pacífica.

“Está claro que é este o desejo do povo europeu”, afirma a declaração, em evidente referências às gigantescas manifestações contra a guerra realizadas na Europa, neste final de semana.

A União Européia, em seu comunicado, também manifesta o propósito de trabalhar com os líderes árabes para persuadir o presidente iraquiano Saddam Hussein do “risco extremo de subestimar a atual situação”.

Além disso, os países europeus apontaram a necessidade de revigorar o processo de negociação de paz no Oriente Médio e exortaram Israel a pôr fim ao processo de estabelecimento de colônias em territórios palestinos, e dissem que os palestinos devem acelerar o processo de reforma de suas instituições.

Solução conciliatória

O chefe do governo alemão, Gerhard Schroeder, um dos principais oponentes de um ataque dos Estados Unidos ao Iraque, junto com o presidente francês Jacques Chirac, disse que o comunicado representava uma posição conciliatória e uma chance de uma saída pacífica para a crise.

Porém advertiu, como ressalta o comunicado conjunto, que o exemplo dos recentes conflitos nas antigas repúblicas iugoslavas demonstrava que uma solução armada não podia igualmente ser descartada.

Chirac admitiu que havia “tensões” entre os europeus por conta de divergências com relação ao Iraque, mas ressaltou que a reunião deixara claro um conjunto de princípios fundamentais e afastara a sombra de uma crise.

Como princípios fundamentais, apontou o desmantelamento das armas de destruição em massa do Iraque e o fato de que apenas a ONU é competente para tomar decisões quanto aos meios de se conseguir tal objetivo.

Veto da França na ONU

Horas, antes, ao chegar a Bruxelas para a reunião de cúpula, Jacques Chirac disse expressamente que vetará iniciativas no Conselho de Segurança da ONU que autorize uma guerra contra o Iraque.

“A guerra é sempre a pior solução”, ressaltou. “Não há necessidade de uma segunda resolução, hoje, e a França não terá outra opção a não ser vetá-la”.

Em Washington, Condoleezza Rice, a assessora de segurança nacional do presidente dos Estados Unidos, George Bush, disse no domingo que a Casa Branca poderá tratar de buscar um novo plano da ONU visando a enfrentar o regime.

O governo de Bush está avaliando as opções disponíveis, depois que a maioria dos membros do Conselho de Segurança se alinharam na sexta-feira com a França, que insiste em outorgar mais tempo aos inspetores de armas antes de considerasr ações militares.

A declaração de Chirac reafirmou a posição conjunta franco-alemã de impedir uma guerra, resistindo a pressões dos Estados Unidos e seu principal aliado, Grã-Bretanha, que não querem dar mais tempo ao atual processo de inspeções.

Reunião de emergência

A reunião desta segunda-feira foi convocada pela Grécia que atualmente exerce a presidência da Uniã