Unesco: Israel rejeita resolução sobre Palestina ocupada

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 22 de outubro de 2015 as 11:24, por: cdb

Por Redação, com ABr – de Jerusalém/Berlim:

Israel rejeitou a resolução aprovada pelo Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre a Palestina, que critica a política israelense em Jerusalém.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, Emanuel Nahson, afirmou, em comunicado, que o país “rejeita totalmente a decisão tomada sobre ‘a Palestina ocupada’” e assegurou que essa resolução “pretende transformar o conflito palestino-israelense em um confronto religioso”.

Israel rejeitou a resolução aprovada pelo Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas
Israel rejeitou a resolução aprovada pelo Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas

Nahson afirmou ainda que o Conselho Executivo da Unesco juntou-se aos que querem por fogo nos lugares mais sensíveis da humanidade, referindo-se à Esplanada das Mesquitas, que abriga a Mesquita Al Aqsa, o terceiro lugar sagrado para o Islã e o primeiro para o judaísmo.

A emblemática Cúpula da Rocha fica no rochedo onde o profeta Maomé teria subido aos céus no seu jumento alado, Al Buraq. Muito próxima está a Mesquita Al Aqsa, que frequentemente dá nome à esplanada.

Foi nesse local que o rei Salomão construiu o seu templo, do qual não resta qualquer vestígio. As enormes pedras do Muro das Lamentações são o último vestígio do segundo templo construído vários séculos depois pelo rei Herodes e destruído no ano 70 d.C. pelos romanos.

A resolução, apresentada pela Argélia, o Egito, Kuwait, Marrocos, a Tunísia e os Emirados Árabes Unidos, condena as ações de Israel na região, incluindo a restrição do acesso dos muçulmanos ao local durante as celebrações do Eid (celebração muçulmana que marca o fim do jejum do Ramadã), no mês passado, justificada por motivos de segurança.

A resolução foi apoiada por 26 dos 58 países do Conselho Executivo da Unesco, enquanto 25 membros se abstiveram.

Seis países manifestaram-se contra: os Estados Unidos, o Reino Unido, a Alemanha, Holanda, República Tcheca e Estônia, sendo que um membro estava ausente.

Nahson afirmou que a decisão tomada pelo conselho do organismo internacional vem “inflamar a região” e que os autores da proposta usaram “irresponsavelmente a retórica e distorceram a história”.

Na sua opinião, a resolução representa um passo para “as intenções palestinas de reescrever a história e distorcer o Patrimônio da Humanidade nessa parte do mundo”. Ele  insistiu que “os laços profundos entre os judeus e os seus lugares sagrados em Jerusalém são inegáveis e nenhuma decisão da Unesco pode mudar isso”.

Israelenses e palestinos

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, exigiu nesta quinta-feira o “fim da violência” que ocorre há mais de três semanas entre Israel e o Estado palestino. A declaração foi durante uma reunião, em Berlim, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

– É absolutamente crucial pôr fim a todos os incitamentos, pôr fim a toda a violência e encontrar uma via que permita, potencialmente, construir um processo mais vasto, o que não é o caso hoje em dia – afirmou Kerry ao lado de Netanyahu e diante dos jornalistas, em uma unidade hoteleira de Berlim.

O primeiro-ministro israelense, por outro lado, considerou que a “onda de ataques” é “resultado direto das provocações” do Hamas, movimento islâmico em Israel do presidente palestiniano, Mahmud Abbas, e da Autoridade Palestina.

– Creio que é tempo de a comunidade internacional dizer claramente ao presidente Abbas para parar com os incitamentos contra Israel – frisou Netanyahu.

Kerry e Netanyahu não se reuniam desde fins de setembro, antes do início dos novos confrontos em Israel e nos territórios palestinos.

Ambos devem ter uma reunião nesta quinta-feira, de várias horas, para discutir formas de conter a violência que já provocou dezenas de mortes dos dois lados.