Ue pode trocar soja transgênica americana pela soja brasileira

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Publicado quarta-feira, 14 de maio de 2003 as 10:12, por: cdb

A Comissão Européia reagiu fortemente à decisão dos Estados Unidos de pedir consultas no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC) contra a política comunitária de autorização para produtos com organismos geneticamente modificados (OGMs), os transgênicos.

Bruxelas sustenta que os produtores norte-americanos não arcam com prejuízos por causa da moratória para algumas variedades de OGM. Prova disto é a soja importada do Brasil e da Argentina, cada vez mais vendida no mercado europeu, apesar da concorrência americana.

Já o Greenpeace Europa diz que a soja brasileira poderá ser a resposta comunitária nesta briga, porque é a única sem OGMs, entre os exemplos citados pela Comissão.

No exemplo da soja, o comissário europeu de comércio, Pascal Lamy, demonstra que os EUA cultivam apenas uma variedade de soja e essa variedade tem importação, não produção, autorizada na Europa. Mesmo assim, está perdendo mercado para concorrentes como Brasil e Argentina. Em 2001, a UE comprou 6,5 milhões de toneladas de soja americana, contra 9,7 milhões da brasileira e 670 mil toneladas da Argentina.

Entretanto, organizações não-governamentais como o Greenpeace vão mais longe e dizem que o Brasil, ou qualquer produtor de soja não transgênica, poderá ser a resposta européia nesta briga contra os Estados Unidos. Eric Gall, conselheiro político do Greenpeace Europa, afirma à Agência Estado que a soja importada hoje é para alimento animal e, dentro em breve, a UE aumentará as exigências para a rastreabilidade de produtos agropecuários.

As regras comunitárias atuais cobrem apenas os produtos industrializados, como óleo de soja, que devem constar no rótulo o limite máximo de 1% de componentes com OGMs.

A partir de outubro ou novembro, entra em vigor nova legislação sobre transgênicos, em discussão no Parlamento Europeu, que exigirá a rotulagem de produtos que tenham ou sejam derivados de organismos geneticamente modificados (OGMs), mesmo sem a presença do DNA, tanto para consumo humano, quanto para animal.

O limite de 1%, de aceitação internacional, também poderá ser alterado. Há países, principalmente os nórdicos, que defendem um limite menor de matéria-prima geneticamente modificada nos alimentos. Pela definição técnica do termo, um organismo transgênico é aquele que tem o gene de outra espécie incorporado ao seu DNA.

Eric Gall afirma que existe uma mistificação dos produtores americanos, que acabam pressionando a Casa Branca, de que venderiam mais se não fosse a moratória européia.

– Isto é falso, os Estados Unidos não vendem mais , porque o consumidor europeu não compra e cada vez mais existe uma conscientização dos produtores para não utilizarem alimentos transgênicos para os animais – reforça Gall.

Atualmente, 18 variedades de OGMs são autorizadas no mercado europeu e a referência da moratória é que sete países membros (França, Itália, Grécia, Dinamarca, Áustria, Luxemburgo e Bélgica) não fazem revisão das novas variedades autorizadas no espaço comunitário desde 1998.