TVE busca reforçar patrocínio cultural nos programas

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Publicado quarta-feira, 5 de março de 2003 as 08:44, por: cdb

Beth Carmona, diretora da TV Cultura de SP nos áureos tempos do “Castelo Rá-Tim-Bum”, assumiu a presidência da TVE do Rio com o objetivo de mudar a imagem do canal no mercado. Com uma marca mais forte, a idéia seria conseguir mais parcerias com empresas, para não depender tanto da verba pública, e ampliar a produção de programas.

Algumas de suas produções são exibidas por redes de TVs públicas e educativas. A TV Cultura, por exemplo, leva ao ar o “Observatório da Imprensa”, “Conexão Roberto D’Ávila”, “Gema Brasil” e o infantil “Turma do Pererê” (que chega a ter mais audiência que “Ilha Rá-Tim-Bum”, de SP).

Ligada ao governo federal, a TVE carioca recebe um repasse anual da União de cerca de R$ 13 milhões. Desse valor, a maior parte é destinada ao pagamento de funcionários e à manutenção, sobrando muito pouco para investimentos na programação.

Por isso Carmona, 46, pretende reforçar o patrocínio cultural nos programas. “Queremos tornar os produtos da TVE fortes em todo o Brasil. Toda a marca deverá ser reformulada, num processo semelhante ao que ocorreu na TV Cultura no início dos anos 90.”

Ela foi uma das responsáveis pelo fortalecimento da emissora (onde trabalhou de 1987 a 1998), que chegou a incomodar até a Globo com os bons resultados de audiência da programação infantil, em especial do “Castelo”. Em razão disso, acabou sendo convidada a trabalhar no Discovery Kids e Animal Planet, da TV paga, em Miami. Passou ainda pelo Disney Channel e Fox Kids, antes de voltar à TV pública brasileira.

“Essa experiência em canais pagos, globalizados, certamente será útil em meu trabalho na TVE. Além de pensar sobre programação, público-alvo etc., aprendi que esse é um negócio caro, em que os recursos têm de ser muito bem administrados.”

Cortes

Carmona tomou posse há pouco mais de uma semana, no exato dia em que a TV Cultura anunciava o corte de mais de 200 funcionários, 18% de seu quadro. Na TVE, ela diz que tentará evitar demissões. “Todas as emissoras estão sofrendo cortes. O setor está em crise no mundo todo. Na TVE, haverá uma reestruturação em todas as áreas. Estou revendo tudo, a estrutura, a organização, a forma de trabalho, mas farei o possível para não demitir”, disse.

Convidada para o cargo pelo ministro Luiz Gushiken -da Secretaria de Comunicação Social, à qual a TV é ligada-, Carmona diz não acreditar que o governo irá interferir na linha editorial.

“A opção pelo meu nome certamente foi profissional, já que não tenho vínculos políticos. As TVs educativas foram criadas num contexto de regime militar, mas os tempos mudaram, e acredito que cada vez mais os governos compreendem melhor o papel da televisão e do rádio”, afirmou.

Carmona ainda não definiu que mudanças fará na programação e calcula que dentro de dois meses já terá traçado um novo rumo.

Paulista, ela se formou em Comunicações e Artes pela Universidade de São Paulo. É também presidente do Centro Brasileiro da Mídia e da Criança, uma organização não-governamental.