Turistas norte-americanos enfrentam espera de sete horas no Galeão

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Publicado terça-feira, 6 de janeiro de 2004 as 09:30, por: cdb

Pelo menos 300 turistas norte-americanos vindos em cinco vôos enfrentaram nesta segunda-feira uma espera de cinco a sete horas dentro de uma sala do terminal 2 aeroporto internacional do Rio, na Ilha do Governador (zona norte), para serem fichados e liberados. Todos os dias o aeroporto recebe entre 500 e mil norte-americanos.

Segundo informações de funcionários do aeroporto e de passageiros, apenas um policial federal estava disponível para tirar fotos e colher as impressões digitais dos turistas. Ao todo, dez vôos vindos dos EUA chegaram aos dois terminais.

Só depois de liberados os passageiros do terminal 1, por volta das 15h30, é que os turistas do segundo terminal começaram a ser atendidos. Uma representante do consulado americano foi chamada por telefone pelos passageiros. Ela não falou com os jornalistas.

A reclamação dos turistas não era em razão de serem fichados, mas por causa da longa espera sem explicação e do sistema de trabalho da PF -fotografias com câmera instantânea e impressão digital com tinta nos dez dedos.

– É uma vergonha para um país deixar os turistas esperando das 9h às 4h dentro do aeroporto. Eu teria gasto hoje US$ 200 em passeios. Ia visitar 17 pontos do Rio, agora só vou visitar um: a cama do hotel – disse o carpinteiro de Boston Scott Hall, 40. Ele viajou 13 horas até o Rio.

Um grupo de 58 universitários da Califórnia também perdeu os passeios programados. Eles viajam na quarta-feira para Foz do Iguaçu.

– Não sei como os brasileiros são tratados nos aeroportos dos Estados Unidos. Queria ver se é assim mesmo. É frustrante e injusto ficar o dia inteiro sem comer, sem sair. Me senti uma refém – afirmou Amanda Eckel, 22.

São Paulo

A Polícia Federal em São Paulo também mudou o procedimento de identificação de turistas americanos no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos. Eles são fotografados e têm apenas a digital do polegar direito coletada. No início, além da fotografia, eram retiradas as impressões digitais de todos os dedos.

Segundo o delegado Wagner Castilho, o tempo de identificação caiu de 6 minutos para “pouco mais de 1 minuto” com a mudança.

Em São Paulo, a PF começou dia 1º a “fichar” os americanos que desembarcam em Cumbica. Cerca de 1.250 pessoas já foram identificadas.

Turismo

Antes de saber do atraso no trabalho, o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), disse à Folha, por e-mail, que o “turismo é difundido boca a boca” e que “a experiência de um turista é repassada a seus amigos e familiares”, portanto é possível que americanos deixem de visitar o Rio. Ele afirmou que a Procuradoria Geral do Município entrará com uma ação na Justiça.

O presidente da Associação Brasileira de Agências Receptivas, Roberto Dultra, disse que a medida pode prejudicar o turismo no Rio, às vésperas do Carnaval.

 – O turismo brasileiro tem metas de chegar a 9 milhões de turistas por ano, até 2007, o que vai gerar 1,2 milhão de empregos.  Corre o risco de a gente não conseguir atingir a meta, por excluir os americanos do nosso mercado. Eles são o povo que mais nos visita – afirmou Dultra.

PF

A assessoria de imprensa da PF informou que a superintendência do Rio não havia recebido nenhuma reclamação sobre a demora na identificação de passageiros norte-americanos até o fim da tarde.

A PF negou que apenas uma pessoa estivesse executando o trabalho. Segundo a assessoria, todo o efetivo da delegacia da PF no aeroporto internacional estava fazendo esse trabalho. Entretanto, a assessoria não soube informar quantos policiais estavam mobilizados.