Tucanos, à beira da luta interna, pedem saída urgente de Jereissati

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Publicado terça-feira, 31 de outubro de 2017 as 14:32, por: cdb

Grupo dos tucanos, liderados por Tasso Jereissati,divulga pesquisa em que mostra desgaste do partido no governo Temer.

 
Por Redação – de Brasília

 

O tempo joga contra os tucanos. Quanto mais perto da convenção nacional, prevista para dezembro, maior o estremecimento nas bases da legenda. O partido desintegra-se, em nível nacional, em facções que apoiam desde o presidente afastado do PSDB, senador Aécio Neves (MG), ao presidente interino, senador Tasso Jereissati (CE); passando por outros que se subdividem nos apoios ao prefeito de São Paulo, João Doria, e ao governador paulista, Geraldo Alckmin. A divisão mais recente refere-se ao governador goiano, Marconi Perillo, que também quer disputar a Presidência nacional.

Aécio Neves se juntou a Michel Temer na tentativa de derrubar Tasso Jereissati do ninho tucano
Aécio Neves se juntou a Michel Temer na tentativa de derrubar Tasso Jereissati do ninho tucano

Jereissati havia dito que não gostaria de continuar na cabeça da Executiva Nacional, mudou de ideia. Agora adianta que pretende formar uma chapa, o que agravou o estremecimento do conglomerado de centro-direita. Aqueles que apoiam Perillo reagiram. Disseram, em correspondências veladas à direção partidária que o cearense deve renunciar ao cargo que ocupa, interinamente. Se não o fizer, nas próximas horas, corre o risco de ser acusado por uso indevido da máquina partidária para se beneficiar na disputa interna.

Aliados não declarados de Aécio Neves, que nutre verdadeiro ódio por Jereissati — segundo disseram fontes ligadas à Executiva Nacional do partido, em condição de anonimato, à reportagem do Correio do Brasil — tentam derrubar o comandante provisório da nau tucana, que faz água em profusão, nos últimos dias. Eles acusam o adversário de impor uma oposição contra o governo Michel Temer que, na realidade, não existe nas hostes do partido.

Sem ministérios

A pesquisa encomendada pelo grupo do tucano cearense mostra que a legenda se desgasta, rapidamente, enquanto permanece no governo Temer. A divulgação dos números, no entanto, serviu para acirrar, ainda mais, os ânimos dos correligionários que defendem a permanência na Esplanada dos Ministérios. Correligionários do campo adversário a Jereissati distribuíram, nesta manhã, na sede nacional do PSDB, em Brasília, panfletos nos quais tentam desmentir os resultados do estudo feito pelo instituto contratado pela atual diretoria.

A presença do PSDB no governo, porém, está com seus dias contados. Temer já anunciou que pretende remover os tucanos dos ministérios que ocupam. O expurgo está previsto para março do ano que vem; quando não haverá mais tempo hábil de as exonerações pesarem na escolha de candidatos, caso houver eleições.

Diante do quadro de divisão interna, o PSDB deve seguir sozinho na disputa presidencial. Mozart Vianna, ex-secretário-geral da Câmara dos Deputados e ligado a Temer tende a assumir a cadeira do deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA). Ele tem sido muito criticado por ineficiência no trato político com a base aliada. O atual ocupante do Ministério das Cidades, Bruno Araújo está em um cargo perseguido por aliados do chamado ‘Centrão’; por seu orçamento relevante. Ele deverá deixar a cadeira para o deputado Arthur Lira (PP-AL).