Tropas de paz avançam para o interior da Libéria

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Publicado quarta-feira, 10 de setembro de 2003 as 10:06, por: cdb

As forças pacificadoras africanas avançaram para o interior da Libéria e tomaram o controle da cidade de Kakata, a 60 quilômetros ao nordeste de Monróvia. De acordo com analistas, a ação é um passo decisivo para a paz no País.

A chegada a Kakata de 600 soldados de Guiné-Bissau – parte do contingente de 3.250 homens prometidos pela Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) para conseguir a paz na Libéria – pôs fim aos combates iniciados no último fim de semana entre o Exército e a rebelião, que forçou milhares de pessoas a fugir. A informação foi divulgada hoje pela rádio de Serra Leoa.

Este é o primeiro desdobramento fora de Monróvia das tropas pan-africanas que continuarão o avanço pelo interior do país para acabar com os confrontos que, esporadicamente, ocorrem em outras zonas e que impedem a distribuição de alimentos a milhares de pessoas deslocadas, carentes do mínimo para sobreviver.

O avanço dos militares da Cedeao facilitará também a ajuda médica aos doentes, desnutridos e a prevenção de surtos epidêmicos como a cólera, que afeta muitas pessoas, em sua maioria crianças.

Em um relatório apresentado à ONU, a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirmava que na semana passada mais de 50 mil pessoas deslocadas foram forçadas a fugir dos acampamentos de Maimu e Tolotahuyeron, na região de Bong, ao nordeste de Monróvia, para escapar dos combates.

Além disso, o documento assinala que um número indeterminado de camponeses fugiu de suas casas em pânico por suas vidas. Grande número deles buscou refúgio no acampamento de Salala, cuja capacidade passou dos limites e as condições de vida agora são desumanas. Muitos dos chegados a Salala narraram atrocidades cometidas pelos soldados de mais de um bando, como o saque de suas casas, o estupro de mulheres e meninas, espancamentos, tortura e a perda da maioria de seus móveis e utensílios.

Os combates, dos quais as partes em conflito se acusam mutuamente de iniciá-los e de violar o cessar-fogo estipulado em 18 de agosto, põe em perigo a paz na Libéria apesar de ser estipulada igualmente a formação de um governo de transição, que deverá assumir o poder em 14 de outubro e dirigir o país para eleições gerais em dois anos.