Treze mortes marcam plebiscito na Colômbia

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Publicado domingo, 26 de outubro de 2003 as 11:23, por: cdb

O referendo convocado pelo presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, registrou, ontem, grande participação popular e diversos episódios de violência no país. Até o fechamento das urnas, o governo colombiano reconhecia a ocorrência de 13 mortos em atentados.

A votação, na qual os colombianos votaram propostas para congelar por dois anos os salários da maioria dos funcionários públicos, acabar com privilégios nas pensões, reduzir o tamanho do Congresso e eliminar a burocracia, começou na manhã de ontem, no horário local da Colômbia.

“O plebiscito não é milagroso, mas é um passo contra a corrupção e a politicagem. É um passo para nos ajudar a fortalecer a ordem pública, para nos ajudar para que, em meio a estas enormes dificuldades fiscais da nação, possamos melhorar a educação dos pobres”, disse Uribe.

O presidente, fortemente escoltado, deu abertura às votações na histórica Praça de Bolívar, no centro de Bogotá. Trata-se da segunda consulta realizada na Colômbia depois do plebiscito de 1957, que aprovou os direitos políticos às mulheres.

Para que as iniciativas que fizeram parte da campanha de Uribe à Presidência sejam aprovadas, cada uma das perguntas terá que receber o “sim” de pelo menos metade dos 6,3 milhões de eleitores mais um.

Mesmo que Uribe, de 51 anos, tenha uma popularidade de 75 por cento, a mais alta que um presidente colombiano já teve, o plebiscito sofre oposição de líderes políticos e sindicais.

O presidente dedicou seu esforço nas últimas semanas para promover a votação positiva do plebiscito e participou de programas de rádio e televisão.

Pesquisas anteriores indicavam que apenas 28% dos eleitores estavam dispostos a votar, porcentagem que não garante a aprovação das propostas. Pela Constituição colombiana, 51% dos eleitores devem comparecer às urnas para validar o plebiscito. No entanto, o movimento nos postos eleitorais ao longo do dia superaram a previsão dos institutos de pesquisa.

“Convido os pais de família e os estudantes a participarem ativamente. O povo tem que estar nas urnas”, disse Uribe.

Muitas das pessoas que disseram que votarão à favor das propostas admitiram que não entendem as perguntas complexas, mas que votarão como forma de apoio a Uribe.

O presidente afirmou que o fracasso de sua iniciativa colocará em risco o governo e o futuro econômico do país, mas analistas sustentam que não haverá consequências porque o governo dispõe de outros mecanismos para pôr em ordem as finanças públicas.

A Colômbia teve um déficit fiscal de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2002, o qual pretende diminuir para 2,8% este ano e 2,5% em 2004.

Cerca de 270 mil homens das Forças Armadas e da polícia mantiveram a vigilância em todo o país para garantir as votações e evitar eventuais ataques de guerrilha para sabotar o plebiscito.

Ainda assim, uma bomba camuflada em uma cantina explodiu na região de Antioquia, deixando seis pessoas mortas, informou a polícia, que atribuiu o ataque às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). As autoridades militares informaram que quatro policiais morreram durante um ataque de guerrilheiros das Farc a uma patrulha na cidade de Jambaló, em uma zona montanhosa da Colômbia. Outros dois policiais morreram em outro ataque da guerrilha no município de Silvia, enquanto um sargento do exército perdeu a vida em Ibagué após a explosão de uma granada lançada por rebeldes.