Três exposições movimentam galerias baianas

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 10 de novembro de 2003 as 09:31, por: cdb

São três artistas com orientações diferentes. Márcia Abreu busca uma arte explicada, em que o sentido acompanhe a forma. Já Melanie Baker não quer sentido ou julgamento, apenas refletir algo que integra seu cotidiano. E, mais diverso de todos, Marco Aurélio Damasceno, ganhador do Prêmio Braskem de Cultura e Arte 2003, com suas esculturas de dois metros. Em comum, o fato de que as três exposições abrem esta semana. Márcia Abreu e suas Imagens Reveladas têm vernissage nesta quarta-feira, 19h30, na Galeria da Aliança Francesa (Ladeira da Barra), onde continua até o dia 29. Melanie Baker, por sua vez, expõe na Ebec Galeria de Arte (Pituba), suas Faces do Poder, nesta terça-feira, às 20h, seguindo até o dia 21. E, por último, Damasceno, que abre sua exposição também na terça-feira, às 19h. As obras ficam na Galeria do Icba (Corredor da Vitória) até o dia 25 de novembro.

Márcia demonstra muita vontade de produzir sentido em suas obras. O universo feminino é o ponto de partida para a mostra, composta de gravuras e objetos. Formada pela Escola de Belas Artes da Ufba, ela demonstra uma capacidade de chocar seu público, como quando criou uma instalação com uma figura infantil quase enterrada no chão. “As pessoas tiveram sentimentos mistos, e pensavam coisas diferentes da idéia que eu queria passar”, diverte-se. A presente mostra é também fruto do mestrado de Márcia, em que desenvolveu estudo semiótico sobre seus próprios trabalhos.

O trabalho da nova-iorquina Melanie Baker busca a representação dos podero-sos. Com mestrado em belas artes pela Stony Brook University (1998), Melanie ganhou, este ano, o prêmio de US$ 25 mil da New York Foundation for The Arts. Sua primeira mostra individual contou com obras avantajadas, como um painel de 15 metros por 4,5m de altura. “Eu acho que a escala é importante para a manifestação do poder”, considera.

Melanie está em Salvador como convidada da Fundação Sacatar, uma ONG que promove o intercâmbio entre artistas do mundo, na Ilha de Itaparica. Ela expõe cinco quadros, dos quais todos estarão à venda. A técnica é o desenho com carvão, em preto-e-branco, com colagens de recortes do New York Times, para dar textura às imagens de George Bush e do secretário de defesa Donald Rumsfeld.

– Para mim, o trabalho tem uma conotação pessoal e pública. A pública é como eu me sinto sobre o poder em meu país; a pessoal é que estou usando estas figuras públicas nas minhas pinturas. Não sou política ou intelectual, é o que vejo na minha vida cotidiana – explica Melanie.

Marco Aurélio Damasceno expôs pela primeira vez em 1993, quando ainda era aluno da Escola de Belas Artes da Ufba. Atualmente mestre em Belas Artes, Damasceno conta que o Prêmio Braskem 2003 lhe permitiu preparar as esculturas da mostra, onde cada obra será colocada no espaço de uma instalação. “Elas sugerem um ambiente de captura”, explica ele, que constrói suas formas com tela e materiais plásticos. Ele os funde com o calor e cria uma simbiose entre os materiais. Sua busca é por mostrar as relações da sociedade de consumo, e o vazio camuflado das relações contemporâneas.