Três etnias indígenas estão ameaçadas de extinção no Mato Grosso do Sul

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Publicado quinta-feira, 19 de abril de 2012 as 10:22, por: cdb

Três etnias indígenas estão ameaçadas de extinção no Mato Grosso do Sul

A revista Tekoha relata que a Guerra do Paraguai, no século XIX, serviu de trampolim para o governo brasileiro iniciar as ocupações na região

Por: Jessika Marchiori, da Rede Brasil Atual

Publicado em 19/04/2012, 12:42

Última atualização às 12:42

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SãoPaulo – O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul(MPF/MS) lança hoje (19) a terceira edição da revista Tekoha,publicação digital em comemoração ao Dia do Índio. Na edição,a revista apresenta a história, a cultura e a tradição de todas assete etnias (kadiwéu, ofayé-xavante, guató, kinikinawa, terena,guarani e atikum) presentes no estado.

Coma maior taxa de mortalidade infantil do país (38 por milnascimentos), taxa de homicídios quatro vezes maior que a médianacional e índice de suicídios de 85 por cem mil pessoas, osGuarani estão em estado de alerta. O antropólogo Levi MarquesPereira acusa a violência simbólica contra os índios. “Asociedade nacional impôs um completo ocultamento da sociedadeindígena em sua alteridade, ao negar-lhe o estatuto de sociedadeorganizada e com vínculos históricos a determinados territórios”e completa: “Construiu-se, assim, um ideário compartilhado porfazendeiros e funcionários do governo e, até hoje reproduzido, deque lugar de índio é na reserva, todos os que não residiam emreservas estavam ilegais”, ressalta Pereira.

Deacordo com a edição, os índios kadiwéu e terena lutaram ao ladodos soldados brasileiros contra as tropas invasoras. Sem o apoio dosíndios, o país talvez tivesse outras fronteiras, porém, arecompensa do governo brasileiro foi o confinamento em minúsculas reservas e a expulsão desuas terras. “A Justiça deveria localizar o lugar do índio na história e deveria ter emmente a coexistência de histórias, das quais a dos colonospioneiros é apenas uma face da moeda. É isto, ou de nada valem asmudanças pós Constituição de 1988”, afirma o antropólogoMarcos Homero Ferreira Lima.

Confiraaqui a terceira edição da revista Tekoha.