Tráfico aumenta no mundo e crianças são as maiores vítimas

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Publicado segunda-feira, 13 de maio de 2002 as 16:51, por: cdb

O tráfico de pessoas, em particular de crianças e adolescentes, está aumentando no mundo, impulsionado pela pobreza e pela globalização, segundo alertaram responsáveis da ONU, que indicaram que mais de 700 mil crianças e adolescentes são vítimas deste flagelo ao ano.

Mary Robinson, representante das Nações Unidos para os Direitos Humanos, reconheceu que os países ainda “não começaram a fazer frente ao imenso problema da venda de crianças e adolescentes, que implica grandes somas de dinheiro”. Segundo Frans Roselaers, diretor geral do Programa Internacional para Erradicação do Trabalho Infantil (Ipec), o tráfico de crianças é resultado de “uma crescente demanda para o comércio sexual e o trabalho barato e maleável”.

A maior parte das vítimas são destinadas ao comércio sexual, disse o especialista do Ipec. Mas, muitas das crianças que são traficadas –que, em geral, são retiradas de países pobres e de setores rurais– engrossam a fila dos milhões de um e outro sexo que são explorados em todo o mundo em trabalhos domésticos, no setor de serviços, em minas, em fábricas e oficinas, em bares e restaurantes de centros urbanos, acrescentou.

Exploração progressiva

“Descobrimos que, muitas vezes, a exploração dos menores é progressiva e que alguns dos que foram traficados para trabalhar em fábricas, empregos domésticos ou restaurantes, são logo forçados à prostituição”, declarou Roselaers. Os especialistas destacaram que este tráfico de crianças e adolescentes está crescendo impulsionado pela pobreza, pela falta de educação, por conflitos políticos e desastres naturais. A tragédia também é impulsionada pela globalização que abre as fronteiras e aprofunda a brecha entre países ricos e pobres.

Robinson pressionou, por isso, aos países membros da ONU para que dêem prioridade ao combate ao tráfico de menores, por ocasião da reunião da ONU dedicada à infância, que foi concluída com a adoção de uma declaração que inclui metas e ações a favor da infância.

“Os Estados devem adotar medidas para prevenir a venda de menores, para proteger os que foram vítimas deste tráfico. Além disso, deve-se acabar com a impunidade, castigando os que promovem esta violação aos direitos humanos”, disse Robinson.

Os responsáveis concluíram que o fenômeno do tráfico de pessoas, que é “inaceitável sob qualquer circunstância”, torna-se muito mais “odioso e devastador” quando se trata de crianças e adolescentes vulneráveis, que são, dessa maneira, privados de todos os seus direitos.