Traficantes continuam causando pânico no Rio de Janeiro

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Publicado terça-feira, 1 de abril de 2003 as 13:08, por: cdb

Traficantes de drogas, armados de pistolas, fuzis e bombas de fabricação caseira, levaram o pânico a bairros da Zona Norte e da Zona Sul do Rio de Janeiro, na madrugada desta segunda-feira, interrompendo o trânsito, ateando fogo a veículos e obrigando passageiros a descer de ônibus, informaram as autoridades.

Um policial não resistiu a ferimentos recebidos em um confronto com os bandidos e morreu em um hospital. Os incidentes ocorreram em Bonsucesso, Del Castilho e no Leme, numa das pontas da Praia de Copacabana.

A Avenida Brasil, na Zona Norte, foi o palco do incidente mais violento, com os traficantes incendiando dois ônibus e dois carros e atingindo outro coletivo com tiros, numa das principais vias de acesso à cidade. Até 30 bandidos participaram desse ataque, segundo estimativas da Polícia, cujas viaturas foram recebidas com tiros e bombas.

Um tenente da Polícia Militar, identificado como Gabriel Adelino, de 24 anos e membro do Grupamento Especial Tático-Móvel (Getam), recebeu um tiro na cabeça e morreu horas depois, no Hospital Geral de Bonsucesso.

Na Avenida Princesa Isabel, no Leme, dois homens em uma moto atiraram duas bombas de fabricação artesanal, conhecidas como “Malvinas”. Um dos explosivos foi jogado em frente ao Hotel Méridien e assustou os hóspedes. O outro foi lançado a cerca de 50 metros de distância do hotel, perto de um supermercado. Não houve vítimas nesses ataques.

Essa foi a madrugada mais violenta na cidade desde o Carnaval passado, quando uma série de ataques realizados por traficantes de drogas levou à mobilização de tropas do Exército para ajudar a garantir a segurança, temporariamente.

Fernandinho Beira-Mar

A nova onda de violência no Rio de Janeiro ocorreu quatro dias depois da transferência do chefe do tráfico Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, de uma prisão de segurança máxima no interior de São Paulo para outra no estado de Alagoas.

As autoridades, no entanto, disseram que ainda era muito cedo para determinar de quem teria partido a ordem para promover a onda de violência desta madrugada.

No dia seguinte à transferência de Beira-Mar, a Polícia prendeu, na sexta-feira, o traficante Jorge Alexandre Cândido, “o Sombra”, que é considerado pelas autoridades o braço direito de Beira-Mar.

O bandido foi detido na favela carioca da Rocinha, na Zona Sul. Na mesma operação, a Polícia prendeu também um chileno, identificado apenas como “Gringo” e que seria membro da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Segundo o delegado titular da Polinter, Jader Amaral, Gringo estava no Rio para transmitir aos traficantes do Comando Vermelho, de Beira-Mar, instruções sobre como lidar com armas, explosivos e técnicas de resgate.

Beira-Mar, que cumpria pena no complexo penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, foi responsabilizado pela onda de violência às vésperas do Carnaval, razão pela qual ocorreu sua transferência inicialmente para São Paulo e, agora, para Alagoas.

O governador alagoano, Ronaldo Lessa, disse que aceitou receber Beira-Mar no estado porque não poderia recusar um pedido do Governo Federal, mas acrescentou que o traficante não poderia permanecer mais de 40 dias em Alagoas.