Trabalhistas de Israel elegem líder linha-dura

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Publicado quinta-feira, 27 de dezembro de 2001 as 18:04, por: cdb

O ministro da Defesa de Israel, Binyamin Ben Eliezer, venceu a disputa pela liderança do Partido Trabalhista israelense. Ben Eliezer foi eleito com um total de 51,2% dos votos, contra 47,3% de Avraham Burg, o presidente do Parlamento.

A vitória de Eliezer pode ser a derradeira chance de preservar o governo de coalizão israelense, formado pelo partido governista de direita Likud, do primeiro-ministro Ariel Sharon, e os trabalhistas, do ministro das Relações Exteriores, Shimon Peres. Burg, o candidato derrotado, vinha pressionando os trabalhistas a abandonarem o governo de coalizão de Sharon, devido à sua política em relação aos palestinos. Mas Eliezer vem dando apoio ao primeiro-ministro.

A disputa eleitoral, que aconteceu na quarta-feira, foi na verdade a segunda entre os dois candidatos. Houve uma votação em setembro, em que Burg venceu por margem estreita. Mas Eliezer exigiu investigações, alegando que houve irregularidades no pleito. Na segunda votação, Burg, por sua vez, reconheceu a derrota antes mesmo do anúncio oficial do vencedor. Segundo ele, a votação foi uma “farsa”.

Binyamin Ben Eliezer é um ex-oficial militar e foi o governador militar isralense da Cisjordânia e diferentemente de seu colega de partido Shimon Peres, ele apoiou a decisão do governo israelense de impedir que o líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, comparecesse a uma missa de véspera de Natal na cidade de Belém.

No início deste mês, ele também apoiou a decisão de Sharon de cortar laços com Arafat. Na quarta-feira, Eliezer afirmou que o papel histórico de Yasser Arafat está encerrado e que o líder palestino “não foi capaz de tomar a decisão estratégica de pôr fim à violência”. Eliezer tem 65 anos, nasceu no Iraque e será o primeiro israelense originário do Oriente Médio a liderar o Partido Trabalhista.

Ainda nesta quinta-feira, o governo de Israel afirmou que não vai permitir que Arafat compareça às comemorações de Natal da Igreja Ortodoxa, que devem ocorrer em Belém no dia 6 de janeiro. Usando o mesmo argumento com o qual justificaram a proibição da ida do líder palestino à missa do dia 24 de dezembro, os israelenses alegaram que – antes de participar das comemorações – Arafat precisa prender os responsáveis pelo assassinato, em outubro, do então ministro israelense do Turismo, Rehavan Zeevi, .

Em uma entrevista, Arafat afirmou que a decisão de mantê-lo confinado em Ramallah, na Cisjordânia, é uma violação dos tratados de paz firmados em Oslo, na Noruega. Em outro desdobramento, soldados de Israel prenderam oito palestinos suspeitos de serem militantes do grupo extremista Hamas. As prisões ocorreram em incursões realizadas durante a noite na cidade de Hebron, na Cisjordânia, mas líderes palestinos, porém, disseram que os presos eram todos estudantes.

A Suprema Corte de Israel determinou que Ehud Yastom, um ex-agente secreto que admitiu ter matado dois prisioneiros palestinos, não pode atuar como conselheiro-chefe de antiterrorismo do primeiro-ministro Ariel Sharon. Há cinco anos, Yastom admitiu em uma entrevista que usou uma pedra para esmagar o crânio de dois palestinos, que haviam sido capturados após tentarem seqüestrar um ônibus. Yatom afirmou que a decisão foi “um dia triste para as forças de Defesa”. Segundo Yatom, ninguém pode acusá-lo de nada “a não ser de tentar salvar vidas”, sendo que ele revelou ainda que pensa em concorrer a uma cadeira no Parlamento.