Trabalhadores reagem a pacote do FMI e tomam as ruas de Atenas

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Publicado quinta-feira, 22 de abril de 2010 as 12:34, por: cdb

Os trabalhadores do setor público da Grécia deixaram seus postos nesta quinta-feira para protestar contra as medidas de austeridade e pressionar o governo para não concordar em fazer mais cortes fiscais enquanto negocia um pacote de resgate com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Médicos, enfermeiras, professores, autoridades tributárias e estivadores pararam de trabalhar, paralisando serviços públicos. Milhares de pessoas devem marchar ao parlamento grego ao meio-dia no horário local, enquanto autoridades europeias e do FMI se reúnem para o segundo dia de conversas, que podem resultar em um auxílio financeiro para o país.

Os trabalhadores estão protestando contra o corte nos salários do setor público, o congelamento das aposentadorias e o aumento de impostos implementados pelo governo para tentar tirar a Grécia de uma crise fiscal que balançou os mercados do mundo todo e que levou os juros do país à máxima em 12 anos.

– Essas medidas sanguinárias não vão ajudar a Grécia a sair da crise. Começa um trágico período – disse Ilias Iliopoulos, secretário-geral do sindicato do setor público Adedy, que representa meio milhão de trabalhadores.

Muitos na Grécia temem que algumas limitações do pacote de resgate de 40 bilhões a 45 bilhões de euros, se a nação endividada aceitá-lo, afetarão o padrão de vida em um país onde uma em cada cinco pessoas vive abaixo abaixo da linha de pobreza, de acordo com dados da UE.

– Nós não vamos tolerar mais medidas porque nós não conseguimos pagar nossas contas. Eu renho uma hipoteca, dois filhos, eu cortei todo o luxo. Por que eles não pegam aqueles que roubaram o dinheiro? É o meu salário ou a aposentadoria de 300 euros da minha mãe que vão salvar o país? – disse a funcionária pública Pavlina Parteniou, de 38 anos.