Trabalhadores de obras continuam em greve no Rio

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Publicado terça-feira, 19 de maio de 2015 as 15:06, por: cdb
Os trabalhadores pedem 8,5% de reajuste salarial e na cesta básica, que, com o percentual, passaria a ser de R$ 350
Os trabalhadores pedem 8,5% de reajuste salarial e na cesta básica, que, com o percentual, passaria a ser de R$ 350

 

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada Intermunicipal do Rio de Janeiro (Sitraicp) avaliou que a paralisação dos empregados em obras na cidade, entre elas, projetos dos Jogos Olímpicos 2016, atingiu nesta terça-feira cerca de 70% da categoria.

O presidente do Sitraicp, Nilson Duarte Costa, disse à Agência Brasil que a greve foi considerada legal, mas é preciso manter 30% dos trabalhadores em atividade. “Hoje chegamos a quase 70% de paralisação, atendendo inclusive, 30% solicitado pelo juiz por liminar, em serviços essenciais”.

O percentual é contestado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), que representa os patrões. A diretora de Relações Sindicais e Trabalhistas, Renilda Cavalcanti, informou que a paralisação chegou a 30%. Ela acrescentou que apenas as obras do Complexo de Deodoro, na zona norte do Rio, onde ocorrerão provas de tiro nas Olimpíadas, houve um movimento mais forte da categoria.

– A obra do Engenhão parou, mas foi um caso singular. A maioria das obras está trabalhando com 70% ou 80% do efetivo. Agora, greve é greve e traz prejuízo para as empresas e para os trabalhadores, mas ninguém está apostando aqui na demora desta greve, não. A gente está brigando para que ela realmente acabe, e lutando pela negociação – afirmou.

Para Nilson Duarte, a paralisação alcançada nesta terça-feira, no segundo dia do movimento, não compromete o cronograma das obras. “Por enquanto, não. Estamos ainda no segundo dia. Não tem a mínima condição de afetar em nada lá na frente. Estamos a 15 meses das Olimpíadas. Está muito longe para isso afetar”, calculou.

O presidente do sindicato considera que, se o acordo não for fechado na audiência de conciliação, marcada para próxima sexta-feira, no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ), e a greve atingir um mês, o prazo pode ficar prejudicado.

– Aí, começa a apertar, e os prazos começam a ser contados. Cada dia de falta de trabalho, são, no mínimo, três dias de produção. Se tiver dez dias de falta, seria um mês de atraso. Mas as empresas têm meios e subsídio para isso. Existe o aumento do quadro de mão de obra. Eles saem do número previsto real para atender a contento o prazo dado pelo prefeito. Eles têm todas as condições de entregar as obras no tempo acordado – esclareceu.

Os trabalhadores pedem 8,5% de reajuste salarial e na cesta básica, que, com o percentual, passaria a ser de R$ 350. A diretora Renilda Cavalcanti, explicou que os patrões não concordam, e oferecem aumento de 7,13%.

– É o INPC, até porque não é pela situação do Rio especificamente. É uma situação generalizada. O país todo está com problema. Sem novas perspectivas de obras. Nós não temos como dar ganhos substanciais, como sempre demos, em todos os anos de negociação. Este ano, a negociação é diferenciada, e a gente não tem condição de conceder nada a mais do que o INPC – disse. Ele lembrou que este é também o patamar que foi negociado com trabalhadores da Bahia, Sergipe e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

O Sitraicp informou que fechou acordo com o Consórcio J Dantas e Fábio Bruno, do projeto de obras de galerias para o escoamento das chuvas no bairro do Maracanã, na zona norte do Rio e evitar as enchentes que costumavam ocorrer no local. Outro acerto foi com a Empresa Azevedo Travassos, responsável pelas obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) no centro da cidade. Segundo o presidente, os dois reúnem cerca de 300 empregados e o percentual acertado ficou em 8,5%.

Nilson Duarte disse que as obras incluem empresas de tamanhos diferentes e algumas são contratadas pelas maiores. Para este caso, ele acredita que os acordos fechados podem ser seguidos. “As empresas filiadas ao Sinicon [Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada] provavelmente não vão aderir porque elas têm compromisso de filiação com o sindicado patronal, mas as empresas médias e pequenas empresas poderão aderir, através dessas que já fizeram. Estamos aqui à disposição”, analisou.

O presidente revelou que mais duas empresas podem fechar acordo hoje, mas não adiantou os nomes, porque só pretende dar a informação após o acerto.

Conforme Nilson Duarte os projetos que estão com obras paradas são os da Linha 4 Sul do Metrô, do Metrô Barra (CCRB), dos corredores de ônibus Transolímpica e Transbrasil, do Complexo de Deodoro, do Engenhão e do Porto Rio.

A Empresa Olímpica Municipal (EOM), órgão da Prefeitura do Rio, que administra os projetos e ações municipais relacionadas aos Jogos Olímpicos 2016 destacou que o Parque Olímpico, em Jacarepaguá, na zona oeste não foi atingido pela paralisação porque os trabalhadores são ligados a outro sindicato da categoria e já fizeram acordo. A empresa admitiu no entanto que no Complexo de Deodoro trabalhadores que atuam na área norte cruzaram os braços, mas a paralisação não comprometeu o cronograma da obra.