Tony Blair garante que governo continuará com iraquianos

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Publicado sábado, 5 de abril de 2003 as 08:52, por: cdb

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, prometeu entregar o governo do Iraque ao controle dos próprios iraquianos “o mais rápido possível.”

Durante entrevista ao serviço de rádio em árabe da BBC, após se encontrar com refugiados iraquianos em seu gabinete, o premiê disse que “quer deixar claro que o Iraque não vai ser governado pelos americanos, pelos britânicos ou por qualquer força externa”.

O primeiro-ministro britânico disse ainda que a transição para um governo formado por iraquianos deverá ocorrer o mais rápido possível. Blair também negou planos de intervenção na Síria e disse que o número de mortes causadas pela coalizão liderada pelos EUA na guerra é muito menor do que o que vem sendo divulgado.

Abaixo, os principais trechos da entrevista:

BBC – Nós recebemos um número grande de e-mails de árabes no Oriente Médio e também ligações telefônicas nos nossos programas que mostram uma grande preocupação com o que está acontecendo na região. Muitas pessoas perguntam: Se vocês estão hoje no Iraque, qual será o próximo país?

Tony Blair – Não está em discussão qual será o próximo país, nós estamos no Iraque por uma razão específica, e essa não é uma guerra contra o Iraque, é uma guerra contra Saddam. É uma guerra contra Saddam por causa das armas de destruição em massa que ele tem e é uma guerra contra Saddam por causa do que ele fez ao povo iraquiano, ao povo que é brutalmente oprimido, que não tem direitos democráticos, cuja riqueza ele saqueou. Enquanto vivia com seus filhos em palácios suntuosos, o resto da população, 60%, dependia de ajuda para comer, mesmo o Iraque sendo um país rico.

BBC – Desculpe interromper, mas (o secretário de Estado dos EUA) Colin Powell e (o secretário da Defesa dos EUA) Donald Rumsfeld demonstraram preocupação com a Síria e o Irã, e eles chegaram a alertar a Síria nesta semana. Isso quer dizer que vocês vão com eles se eles atacarem esses dois países?

Blair – Bem, eles não têm absolutamente nenhum plano de atacar esses dois países. O que eles estão dizendo é que é importante que nenhum país ajude as forças leais a Saddam que estão lutando contra as forças da coalizão, mas eu acho que não se deve ficar aventando essas teorias conspiratórias de que o Iraque num dia e no outro uma série de países. Não é isso. É uma luta de 12 anos para ter certeza de que o desejo da ONU de que Saddam se desarme acabe se tornando realidade. Está claro também que essa não é uma guerra de conquista, mas de libertação. Uma coisa que eu quero deixar absolutamente claro é que, no final disso tudo, o Iraque não vai ser governado pelos americanos ou pelos britânicos, ou por qualquer poder externo. Logo que o processo de transição acabar, o país vai ser governado pelo povo iraquiano, um governo amplo e representativo, não uma pequena elite em torno de alguém como Saddam.

BBC – E o processo de transição? Quanto tempo o senhor acha que vai demorar? É justo assumir que, depois de dois ou quatro meses, isso pode ser considerado uma ocupação e não uma libertação?

Blair – Bem, eu acho que é exatamente por isso que é importante fazer uma transição rápida. Uma vez que o conflito acabar, obviamente tem um período em que o país está se estabilizando, mas o mais rapidamente possível nós temos que montar um governo iraquiano interino que seja comandado pelos iraquianos.

BBC – Podemos ter um limite de tempo de quanto essa transição pode durar? Com certeza tem um limite depois do qual pode ser visto como ocupação?

Blair – Com certeza. Não pode continuar indefinidamente. Não posso especificar o número de semanas exatamente porque ainda não sabemos quando o conflito vai terminar. O que eu posso dizer é que nós não queremos ficar, os americanos não querem ficar, nem um segundo a mais do que o necessário.

BBC – Muitos dos nossos ouvintes que estão ouvindo o senhor agora estão no Iraque e perderam seus parentes e suas casas. O que o senhor diria a um pai ou a uma mãe que perdeu um filho e está s