Tony Blair critica memorando franco-russo-germânico

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Publicado terça-feira, 25 de fevereiro de 2003 as 19:58, por: cdb

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, disse hoje que uma proposta apoiada pela França, Alemanha e Rússia para dar mais tempo aos inspetores de armas das Nações Unidas no Iraque transformaria a missão numa “agência de detetives” e esta não é a sua finalidade.

Em uma sessão do Parlamento britânico, Blair afirmou que a votação de um novo projeto de resolução, apresentado na véspera ao Conselho de Segurança da ONU pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Espanha, seria adiada a fim de dar mais tempo ao Iraque para que se “desarme voluntariamente”.

Comentando o memorando franco-russo-germânico, Blair disse: “O núcleo dele é a noção de que a tarefa dos inspetores é a de entrar no Iraque para descobrir as armas (… ) Enfatizo que esse não é o trabalho dos inspetores; eles não são uma agência de detetives. Tentar desencavar as armas e a documentação relevante sem a cooperação das autoridades iraquianas é um absurdo”, acrescentou. “E a questão não é o tempo. A questão é a vontade” do Iraque de cooperar, disse ainda Blair.

O premier britânico elogiou partes da proposta franco-russo-germânica em que é reconhecido que o presidente do Iraque, Saddam Hussein, tem de se desarmar completamente e que ainda “não está cooperando totalmente” com os inspetores. O projeto de resolução norte-americano-anglo-espanhol ressalta que o Iraque “perdeu sua última oportunidade” de se desarmar, mas não estabelece prazos para o início de uma ação militar contra Bagdad.

Já o memorando de França, Alemanha e Rússia estabelece que a guerra deve ser “a última das opções” e propõe que “o completo e efetivo desarmamento do Iraque” seja conseguido de forma pacífica, através do regime das inspeções”. Depois da reunião do Conselho, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Negroponte, disse à imprensa que “após quatro meses e cinco relatórios dos inspetores, está claro que o Iraque não quer desarmar-se”.