Todos os envolvidos na Operação Anaconda serão investigados, diz ministro

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 21 de novembro de 2003 as 14:11, por: cdb

A Polícia Federal vai investigar qualquer pessoa suspeita de envolvimento em irregularidades reveladas pela Operação Anaconda. A declaração é do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que participou na manhã desta sexta-feira do Encontro Nacional sobre Administração Judiciária, no Supremo Tribunal de Federal.

Segundo o ministro, as pessoas suspeitas de envolvimento terão amplo direito de defesa das acusações, garantida pelo regime democrático brasileiro. – Acredito que todos devam ser investigados, que ninguém está acima da Lei, mas também todos têm, dentro do regime democrático, a presunção de inocência. Aqueles que são acusados e que são suspeitos devem ser investigados e têm o direito amplo de defesa – ponderou Thomaz Bastos.

O ministro declarou ainda que não teve acesso ao relatório da operação Anaconda e que está acompanhando o caso apenas pela imprensa. Márcio Thomaz Bastos informou também que possíveis bens transferidos para o exterior pelos envolvidos na Operação Anaconda serão recuperados pelo sistema de combate à lavagem de dinheiro, criado pelo ministério da Justiça por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional. Até o final do ano, o ministro deve viajar à Suíça para assinar tratado de cooperação que permitirá um trabalho conjunto entre autoridades brasileiras e daquele país para recuperação do patrimônio proveniente de lavagem de dinheiro.

O ministro destacou ainda a importância do Congresso Nacional votar a reforma do Judiciário. “A matéria tornou-se preocupação nacional”, destacou o Thomaz Bastos. Para ele, essa reforma tramita há muito tempo no Congresso e agora se tornou prioridade. “A reforma do Judiciário é um passo importante na direção da construção de uma democracia de cidadãos”. O ministro informou que a aprovação da reforma do Judiciário se tornou uma questão de segurança pública, como a reforma Penitenciária e a integração das polícias.

O ministro disse que existem divergências entre os poderes Executivo e Judiciário, mas que, na verdade, todos querem a mesma coisa, “a construção de um poder Judiciário fortalecido e sem falhas”. Thomaz Bastos lembrou que sua relação com os ministros do Supremo Tribunal Federal é ótima. O ministro lembrou que, no final da tarde de hoje, todos estarão reunidos no Palácio do Planalto para participar de cerimônia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá sancionar a lei que cria varas federais e trabalhistas.