Título público preferido do Tesouro é o único abaixo da meta em 2011

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Publicado quinta-feira, 22 de setembro de 2011 as 13:44, por: cdb

Título público preferido do Tesouro é o único abaixo da meta em 2011Dívida pública federal negociada com o ‘mercado’ cresce R$ 34 bilhões (2%) de julho para agosto e chega a R$ 1,768 trilhão. Papéis que pagam aos investidores juros pré-fixados, os preferidos do governo, aumentam participação, mas são os únicos que ainda não atingiram meta mínima fixada pelo próprio Tesouro Nacional. Governo diz que alvo será alcançado até dezembro.

André Barrocal

BRASÍLIA – Todo início de ano, a Secretaria do Tesouro Nacional, gestora da trilionária dívida federal com “mercado”, divulga algumas metas com as quais vai trabalhar. Entre elas, os limites mínimo e máximo da dívida em valores e em tipos de indexadores dela (juros do Banco Central ou inflação, por exemplo). O título preferido do Tesouro, cujo peso na dívida o órgão tenta ampliar, é o que lhe custa um juro pré-fixado. É, também, o único que, em oito meses, ainda está fora do alvo.

No fim do mês passado, a dívida federal era de R$ 1,768 trilhão, R$ 34 bilhões (ou 2%) superior a julho, informou o Tesouro nesta quinta-feira (22). Daquele total, 34,8%, mais do que em julho, estavam atrelados a juro pré-definido, situação desejada pelo governo pois garante maior previsibilidade à evolução da dívida.

A parecela ligada ao juro do BC, por exemplo, sobe (ou cai) a cada 45 dias, dependendo da decisão do banco – tomada inclusive com base no que o “mercado” acha sobre inflação.

Nas metas que divulgara no início do ano, num pacote chamado de Plano Anual de Financiamento (PAF), o Tesouro dizia que, em 2011, trabalharia para a dívida pré-fixada ficar num patamar entre 36% e 40% do total.

Todos os outros tipos de títulos classificados pelo tipo de indicador já estão enquadrados nos limites do PAF. A parcela vinculada à inflação fechou agosto em 28,5% (meta: de 26% a 29%). A ligada ao dólar, em 4,1% (de 4% a 6%). E a ligada ao juro do BC, em 32,4% (meta: de 28% a 33%).

Os papéis ligados ao juro do BC são os prediletos do “mercado”, porque os investidores têm algum poder de influenciar os rumos da chamada taxa Selic – e, com isso, seus próprios lucros – por meio de previsões sobre inflação. Essas estimativas são elementos que o banco levam em conta nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

No fim de agosto, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou projeto para proibir o Tesouro Nacional de emitir títulos atrelados ao juro do BC. O coordenador-geral da Dívida, Fernando Garrido, que divulgou os dados nesta quinta-feira em entrevista coletiva, não quis comentar o projeto. Disse que teria de analisá-lo primeiro.

Afirmou ainda que, até o fim do ano, a meta sobre dívida pré-fixada será alcançada. Isso porque, em dezembro, haverá um vencimento volumoso de títulos atrelados à Selic, na casa de R$ 20 bilhões. Será uma oportunidade para reduzir o peso daquele tipo de papel na dívida.

O corte de juros feito pelo BC na última reunião do Copom ainda não se refletiu nos dados divulgados pelo Tesouro porque ocorreu no dia 31 de agosto.

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