Tiroteio no Sambódromo paulista termina em morte

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Publicado domingo, 23 de fevereiro de 2003 as 09:21, por: cdb

Com um plástico preto cobrindo parcialmente o abre-alas, onde se lia o nome “Rui”, o bloco Pavilhão 9 desfilou no Sambódromo da Anhembi, na madrugada deste domingo, após um minuto de silêncio e a declaração de sua diretoria de que este é o ultimo desfile daquela agremiação.

O motivo foi a morte do carnavalesco Rui Luciano Nogueira, de 25 anos, atingido na cabeça por um tiro, durante um confronto com integrantes do bloco Torcida Independente, do São Paulo, na concentração da “passarela do samba”. Além de bloco carnavalesco, o Pavilhão 9 é uma torcida organizada do Corinthians.

A intolerância entre as torcidas de times de futebol motivou o conflito. Ao ser autorizada a entrar na concentração, às 22h00, após o início do desfile do bloco Vovó Bolão, o primeiro da noite, o pessoal da Independente avistou num canto um grupo pequeno de integrantes do Pavilhão 9, que seria o nono bloco a desfilar. Eles estavam terminando de montar um dos carros alegóricos.

Aos insultos, pedradas e pauladas, os dois grupos se desentenderam. Seguiram-se tiros disparados por torcedores são-paulinos. Durante o tumulto, até integrantes do bloco Independente foram atingidos por disparos. O presidente do Pavilhão 9, Alexsandro Batista Salmazo, foi ferido de raspão na cabeça e seu automóvel, um Golf vermelho, danificado por vários projéteis.

O carnavalesco Rui morreu no Pronto-Socorro de Santana, para onde também foram levados Thiago Pereira Oliveira, de 16 anos e Itamar Fagundes Santos, de 20.

Dois integrantes do bloco Independente, uma moça de aproximadamente 25 anos e um rapaz foram baleados. A moça, na cabeça, e o rapaz, na perna. Outro rapaz, de cerca de 30 anos, também foi baleado na cabeça. Até as 22h40 deste sábado, não havia informações sobre os nomes das vítimas.

As duas pessoas baleadas na cabeça foram levadas ao Pronto-Socorro de Santana e o rapaz, ferido na perna, foi atendido pelas unidade móvel do Corpo de Bombeiros que estava no local.

Ao contrário das primeiras informações veiculadas pela imprensa, a Escola de Samba Gaviões da Fiel, outra torcida organizada corintiana, nada tem a ver com esse episódio. Seus diretores lançaram um manifesto de protesto, durante os desfiles dos blocos, afirmando que, quando o assunto é violência, o nome da agremiação é sempre citado indevidamente.