Timão x Santos: final histórica

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Publicado sábado, 14 de dezembro de 2002 as 22:07, por: cdb

A batalha decisiva entre os tradicionais adversários, que define o novo campeão nacional, terá como ingredientes a vitalidade de dois jovens times e a rivalidade alimentada pelas estrelas dos alvinegros, durante a semana que antecedeu o clássico paulista.

No Morumbi, domingo, às 17h, Timão e Peixe adentrarão ao gramado com posturas distintas. Após vencer a primeira partida por 2 x 0, o time praiano será campeão perdendo até por um gol. O Corinthians, até então apontado como favorito, dará a volta olímpica apenas se vencer por dois tentos de diferença.

Embora esteja pressionado, em desvantagem, o Timão buscou a tranqüilidade nas palavras do técnico Carlos Alberto Parreira. “Queremos fazer história”, discursou o badalado tetracampeão mundial.

O treinador refere-se ao fato do atual time corintiano poder se imortalizar no coração da Fiel. Jamais um grupo conquistou três títulos importantes na mesma temporada. No primeiro semestre deste ano, foram levantadas as taças da Copa do Brasil e Torneio Rio-São Paulo.

Porém a obsessão pelo título também consome os santistas. Diferente do rival, o Peixe não festeja fervorosamente há quase 18 anos. A última grande glória aconteceu no Campeonato Paulista de 1984, justamente contra o Timão.

“Estou muito ansioso para este jogo. Sabemos da importância deste título para o Santos, ainda mais em cima do nosso rival”, destacou Diego, 17 anos, novo dono da camisa 10 praiana.

Expectativas à parte, o clássico revela aos torcedores o reencontro do jovem maestro santista com os jogadores do Corinthians, em especial Deivid, Kléber e Renato. Os mosqueteiros juram que Diego os chamou de “Macacos” e “Pretos”. A polêmica, que absorveu todas as atenções, ganhou status de guerra.

“Nunca nos demos bem mesmo. Acho melhor cada um ficar no seu canto”, esbravejou Deivid, que jogou com o meia no Peixe. “Não falei nada”, replicou Diego. “Então ele está me chamando também de mentiroso. Não tem mais conversa”, triplicou o lateral-esquerdo.

Fora da discussão mas pivôs da decisão, Parreira e Leão, que se conheceram na Copa do Mundo de 1970, merecem um capítulo à parte. Com trajetórias opostas, o professor de educação física e treinador diplomado estuda uma maneira de deter o ímpeto do veloz time montado pelo ex-goleiro.

“Eu talvez tenha algumas vantagens por ter sido jogador. Mas o Parreira conhece melhor outras áreas e isso equilibra a disputa”, desconversou o santista, que também dirigiu a Seleção Brasileira, porém sem o mesmo brilho do adversário.

Retrospecto

No que depender dos números, o Santos já pode dar a volta olímpica. Os rivais se enfrentaram 272 vezes. O Peixe venceu 82, empatou 76 e perdeu 114. O time da Vila Belmiro anotou 423 gols e sofreu 512. Em 2002, foram quatro confrontos e o Peixe venceu todos eles.

“Podemos ganhar a boa, a que vale”, disse o atacante Gil. “Sabemos que é difícil mas não é impossível bater o Santos e conquistar o título. Lutaremos até o final com todas as nossas forças. Somos um time de chegada e a torcida pode confiar”, emendou Guilherme, artilheiro da equipe no nacional.

“Precisaremos ficar espertos, pois o Corinthians é um grande time, muito acostumado a finais e à conquista de títulos. Eles têm capacidade para reverter nossa vantagem e precisamos estar em cima sempre”, avisou Léo.

Para Paulo Almeida, capitão do Peixe, deve existir respeito, mas nem tanto. “Provamos várias vezes que podemos vencê-los. Esperamos não deixar escapar o campeonato”.

Equipes

Necessitando vencer por dois gols, Parreira pode utilizar no decorrer do jogo um quarto atacante (Marcinho) ou até mesmo iniciar a decisão com Juliano no lugar de Renato. No entanto, o pragmático técnico tende a manter a base titular, com Fabinho (que cumpriu suspensão) retornando ao meio-campo.

No Peixe, Leão aparece com algumas dúvidas: Michel ou Maurinho na lateral-direita e Robert ou Willian no lugar do artilheiro Alberto, que recebeu o terceiro amarelo. André Luís desfalcou a e